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Este título não é da minha autoria. É de um bom amigo, a quem pedi autorização, depois de o ter ouvido, com ironia e de forma particularmente feliz, a descrever a postura do governo da República nas trapalhadas dos exames nacionais.

Sobre isto, já quase tudo foi dito. A culpa foi dos agrafos mal colocados, dos classificadores, dos pais que marcaram férias, dos alunos que fizeram os exames, das escolas que trabalharam na 6.ª à noite e no fim de semana. A culpa foi do estado. Já o governo, a quem cabe dirigir o estado e garantir que as coisas funcionam, não tem culpa.

Temos um governo e seus ministros, plenos de erros meritórios e de uma visão tão bela e avançada que somos todos demasiado limitados para a compreender.

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Não somos capazes de compreender que este era o momento para introduzir alterações num sistema que sempre funcionou bem.

Que era preciso desestabilizar a vida de dezenas de milhares de alunos.

A cegueira neoliberal tem destas coisas. Levou ao desmantelamento dos serviços e departamentos do Ministério da Educação, retirando-lhe os recursos humanos que, há décadas, garantiam que as coisas não funcionassem pior.

O ministro ameaçou, mentiu, deturpou. A exposição mediática dos exames levou este seu erro meritório ao conhecimento de todos. Contudo, não foi o primeiro: durante um ano letivo, escolas e professores esperaram por respostas que não vinham ou, pior, quando chegavam, estavam erradas ou eram contraditórias.

Entretanto, esta semana, passou despercebido, mas foi conhecida a proposta final do governo para os concursos de professores. O governo prepara a descaraterização completa da profissão docente, a introdução de ainda maior incerteza na vida destes profissionais e a redução das qualificações exigíveis.

Por isso é que o ministro não se demite nem será demitido. É a pessoa certa para cumprir um dos objetivos do governo: destruir a Escola Pública e desvalorizar quem assegura o seu funcionamento. Para o governo, é elevada competência. Para nós, são erros, eventualmente meritórios. A solução é mesmo a demissão, mas de todo o governo.

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