Há quem tenha o talento enorme de estar sempre contra. Não importa o assunto, a circunstância ou a razoabilidade da decisão. O importante é encontrar um motivo para a indignação.
Parece ser o caso da celebração dos 600 anos da descoberta oficial dos Açores. Quer o Governo Regional que a efeméride seja devidamente assinalada, naturalmente, por entidades açorianas e também por instituições do continente português e comunidades espalhadas pelo mundo – da diáspora açoriana aos destinos históricos da emigração, como o Brasil, onde tantos açorianos deixaram a sua marca desde o século XVIII. E com isso reforçar os laços que o tempo e a distância nunca conseguiram apagar.
Mas aí estão os críticos profissionais, regressados ao palco, desta vez empunhando a calculadora. Afinal, dizem, tudo isto custa dinheiro.
Claro que custa. Também custam as escolas, os museus, os arquivos, as bibliotecas e a preservação do património. A memória coletiva nunca é gratuita. A verdadeira questão é saber se os Açores se podem dar ao luxo de esquecer a sua história. Porque, quando deixamos de investir naquilo que explica quem somos, acabamos por gastar muito mais a tentar perceber para onde vamos.
No fundo, para alguns, o problema não é a decisão. É haver uma decisão. Se as comemorações fossem discretas, seriam irrelevantes, sendo abrangentes, são um desperdício. Importa é manter viva a tradição da indignação permanente.
Os Açores chegaram até aqui graças aos que fizeram, construíram e celebraram, e não aos que ficaram na margem a contabilizar o custo de cada página da História.




