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Espanha é campeã do mundo. Pela segunda vez na sua história, depois de 2010. No passado domingo, a seleção espanhola venceu a Argentina por 1-0, com um golo de Ferran Torres já no prolongamento, e confirmou aquilo que vinha demonstrando ao longo da competição…foi, de facto, a melhor equipa do torneio. Até aqui, nada de estranho, uma vez que o futebol fez aquilo que sabe fazer melhor, ou seja, produzir uma história, um campeão e um momento para a memória e para contarmos aos nossos netos. O curioso veio depois.

Na cerimónia de entrega do troféu, Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, participou na entrega das medalhas e, juntamente com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, entregou o troféu ao capitão espanhol Rodri. Até aqui, também nada de extraordinário. Os Estados Unidos foram um dos países anfitriões do Mundial e Trump era, naturalmente, uma das figuras institucionais presentes.

O momento mais caricato surgiu quando Trump decidiu permanecer no palco enquanto os jogadores espanhóis celebravam. Em vez de entregar o troféu e deixar que os verdadeiros protagonistas ocupassem o centro da fotografia, acabou por ficar ali, entre os campeões, enquanto Rodri levantava a taça. A meu ver, há uma certa ironia na imagem.

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Trump, que ao longo do tempo protagonizou declarações e posições polémicas sobre Espanha e sobre os espanhóis, acabou precisamente ao lado deles no momento mais importante da carreira daquela geração. No futebol, como na política, há momentos em que a realidade tem um sentido de humor próprio.

Como já referi, Espanha ganhou à Argentina, tornou-se bicampeã mundial e colocou mais uma estrela no seu equipamento. A política passou. A fotografia passou. Ficou o troféu… E nós, portugueses, podemos sempre procurar um pequeno consolo. É verdade que Portugal não chegou à final. É verdade que ficámos pelo caminho. Mas, pelo menos, podemos dizer que perdemos para os campeões do mundo.

Não ganhámos o Mundial. Não levantámos a taça. Mas, olhando agora para o resultado, talvez possamos recuperar algum orgulho, afinal, fomos eliminados por aquela que viria a ser a melhor seleção da competição.

É pouco? Talvez.

Mas, para um português depois de um Mundial, também já aprendemos que, às vezes, é preciso saber aproveitar os pequenos consolos. Parabéns, Espanha. O mundo do futebol é vosso. E Trump? Bem, parece que também conseguiu o que queria… ficar na fotografia.

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