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Em artigo de opinião desta semana, Carlos Guimarães Pinto, deputado e fundador da Iniciativa Liberal, deixou à vista o raciocínio errado que está na origem de três das principais falácias do neoliberalismo.

Abro, assim, uma exceção à regra, e analiso a tese do seu artigo, que é, em síntese, esta: os salários aumentam com a evolução da produtividade. Esta teoria paradisíaca falha quando se olha para a prática capitalista, ou, se preferirem, prática neoliberal, que vigora no país e na União Europeia (UE).

A primeira falácia é evidente: nunca os salários aumentaram em linha com a produtividade. Na melhor das hipóteses, através da luta dos trabalhadores, da riqueza gerada com o aumento da produtividade, sobram umas migalhas para os salários. Qualquer consulta rápida ao portal do INE evitaria este engano.

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Por exemplo, o deputado da IL escolheu ignorar que a parte da riqueza que é destinada aos salários encolheu ao mesmo tempo que aumentava a parte que cabe à acumulação de lucros – em particular, os das grandes empresas.

Ou escolheu esquecer-se da aproximação do salário médio ao salário mínimo.

Ou, ainda, distraído, não reparou que o salário mínimo atual deveria ser superior em, aproximadamente, 400€, se tivesse aumentado em linha com a produtividade e a inflação.

A segunda falácia é que, no artigo, a estagnação da produtividade nacional parece surgir por magia. Na verdade, esta decorreu das imposições da UE. Ou seja, não temos um país mais forte, mais desenvolvido e com maiores salários, porque, na UE, nos impuseram maior dependência do exterior, menor produção nacional e salários afastados da média da UE. A conclusão possível é que estamos longe do paraíso que nos prometeram.

A terceira falácia da IL é o esquecimento conveniente de que a evolução da produtividade depende da introdução de novas tecnologias e de melhorias na produção e na gestão. Ora, no essencial, estes dois fatores dependem de opções políticas e das empresas, e não dos trabalhadores.

A conclusão a tirar é evidente: não há falácia que consiga esconder o desconforto do neoliberalismo com a sua falência política.

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