Autor: PM | Foto: António Araújo
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O coordenador nacional do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, considerou hoje que a saída de cerca de 60 militantes do partido resultou de um afastamento progressivo da vida interna da organização, defendendo que o grupo deixou de participar de forma ativa antes de anunciar a rutura.

Em entrevista ao podcast Ao Vivo na Livraria, da livraria Lar Doce Livro, em Angra do Heroísmo, o dirigente bloquista afirmou que os militantes que apresentaram a demissão não tiveram uma intervenção relevante nos órgãos internos do partido, apontando como exemplo a ausência de propostas apresentadas na última Convenção Nacional.

José Manuel Pureza reconheceu que o Bloco de Esquerda atravessa um período de dificuldades, marcado por uma crise de credibilidade e por desafios políticos exigentes, mas sustentou que o partido já enfrentou momentos semelhantes ao longo da sua história, sem que isso colocasse em causa a sua continuidade.

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Na mesma entrevista, o líder bloquista fez um balanço do percurso eleitoral da força política, considerando que a participação na solução governativa da chamada “geringonça” representou simultaneamente um período de maior influência política e o início de um ciclo de perda de apoio eleitoral.

Apesar disso, defendeu que a decisão tomada em 2015 foi a mais adequada face ao contexto político da época, por ter permitido influenciar políticas públicas e impedir medidas que o partido contestava. Acrescentou que o Bloco estará disponível para voltar a integrar entendimentos à esquerda, caso considere que esses acordos permitam concretizar as suas propostas.

Questionado sobre futuras soluções políticas, José Manuel Pureza admitiu entendimentos com o PS, o PCP e também com o Livre, embora tenha manifestado reservas quanto à estratégia deste último relativamente a um eventual entendimento liderado pelos socialistas.

Durante a entrevista, o dirigente traçou ainda um paralelo entre a Iniciativa Liberal e o Chega, considerando que ambos representam expressões de um mesmo extremismo político, ainda que com estilos distintos.

José Manuel Pureza reconheceu igualmente que o Bloco de Esquerda nem sempre conseguiu manter uma ligação próxima à realidade ou comunicar com sentido de humor, mas rejeitou críticas de excessivo moralismo e defendeu as causas sociais e de direitos que o partido tem assumido ao longo da sua história.

A entrevista foi conduzida pelo escritor e jornalista Joel Neto e marcou a primeira participação de um líder nacional de um partido com representação parlamentar no podcast promovido pela livraria Lar Doce Livro, em Angra do Heroísmo.

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