O Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPPM) justificou hoje a redução dos indicadores turísticos nos últimos meses com a “conjuntura internacional” e “fatores externos”, prevendo nos próximos dois anos um “cenário de crescimento mais moderado” do setor.
Em resposta a um requerimento do Chega/Açores, o executivo açoriano destacou o crescimento do turismo na região, já que em 2025 o número de dormidas foi superior pela primeira vez a 4,5 milhões, e considerou que nos “primeiros meses de 2026 houve uma oscilação negativa por força de fatores externos”.
“Apesar do crescimento global da atividade turística, existe, há vários meses, uma conjuntura internacional que está a condicionar o setor, em particular junto de mercados mais sensíveis ao preço e em viagens de média e longa duração”, lê-se no documento consultado pela agência Lusa.
O executivo regional salientou que na região o “mercado nacional tem-se revelado mais volátil recentemente, embora existam alguns mercados internacionais, como os Estados Unidos da América, que têm também oscilado devido a questões conjunturais”.
Sobre a estratégia do turismo para 2027 e 2028, o governo açoriano referiu que a “meta central não assenta exclusivamente no crescimento quantitativo da procura, mas sobretudo na valorização económica do destino, na melhoria da experiência turística e na sustentabilidade de longo prazo”.
“Para os próximos dois anos, os indicadores de reservas futuras, capacidade aérea contratualizada e inteligência de mercado apontam para um cenário de crescimento mais moderado, assente em mercados e segmentos de maior valor acrescentado, condicionando, embora sem inverter, a tendência de consolidação do turismo”.
O Governo Regional garantiu que a Visit Azores vai assegurar os “ajustamentos que se revelem necessários à promoção do destino Açores” e que a “estratégia de promoção turística para 2027 e 2028 está a ser desenvolvida” com base numa “avaliação de contingência” que deverá significar uma “reprogramação tática das prioridades por mercado e segmento”.
“A prioridade será reforçar mercados e segmentos que contribuam para o crescimento sustentável da procura, para a redução da sazonalidade, para o aumento do valor gerado por visitante e para o incremento da procura pelas diferentes ilhas”, defendeu.
Os Açores registaram, pelo oitavo mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos turísticos, em maio, com uma quebra de 2,2% face ao período homólogo, segundo dados revelados a 30 de junho pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).
Esta é a oitava descida homóloga consecutiva no número de dormidas em alojamentos turísticos na região, de acordo com os resultados preliminares de maio.
Perante os dados, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) reiterou hoje “profunda preocupação” com a quebra no turismo, pedindo uma “mudança de rumo” e uma “estratégia mobilizadora”.
A 23 de junho, o Chega/Açores questionou o Governo Regional sobre o futuro da promoção turística e o calendário de concretização de infraestruturas consideradas fundamentais para o desenvolvimento do arquipélago, defendendo a necessidade de uma visão de “longo prazo”.




