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Há leis cujos efeitos descrevem bem a desumanidade de quem as impõe e defende. Entre elas, estão as que definem o valor das pensões e da idade da reforma. Transformar um avanço civilizacional como o aumento da esperança média de vida, que resulta de enormes avanços na medicina e na ciência, num doloroso retrocesso civilizacional como o adiamento da reforma e o aumento do tempo de trabalho é uma dessas tremendas iniquidades.

A situação agrava-se porque, hoje, viver mais anos não se foi traduzindo em melhor qualidade de vida. Ou seja, vivemos mais, mas perdemos saúde cada vez mais cedo, devido aos baixos rendimentos, a piores condições de trabalho e ao aumento do stress e das pressões nos locais de trabalho.

Há uma semana, o Parlamento discutiu e votou diversas propostas sobre a reforma. Entre elas, a do PCP repunha a reforma aos 65 anos de idade ou 40 de descontos, eliminava o fator de sustentabilidade e antecipava a idade da reforma a quem trabalha por turnos e à noite. Sem surpresas, foi chumbada por PSD, CDS e IL. PS e CH fizeram o habitual favor ao governo: podiam ter aprovado, mas abstiveram-se. Este último apresentou uma proposta que impunha um teto máximo para o valor das pensões, ou seja, o CH procurou favorecer os grandes negócios privados dos seguros e da banca, através dos fundos privados de pensões.

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Os argumentos para chumbar são sempre os mesmos: os custos e as reformas futuras. Sem dúvida, seriam preocupações teoricamente válidas, se fossem coerentes com a prática. É que nunca se lembram que a solução para aumentar as contribuições passa pelo aumento geral dos salários e pela diversificação das fontes de financiamento.

Tudo isto revela o profundo desprezo por quem trabalha que sentem a direita e o PS, ou seja, os mesmos que se preparam para privatizar a Segurança Social e as pensões, favorecendo novamente o grande poder económico. É mais que justa a reforma, sem cortes na pensão, aos 65 anos de idade ou 40 de descontos, e nem mais um dia! O resto são cantigas para distrair!

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