Há quem insista na teoria de que no turismo o importante é contar cabeças. Chegam mais hóspedes? Excelente. Há mais dormidas? Fantástico.
Mas os hóspedes não pagam salários por existirem. As dormidas não financiam investimentos só porque acontecem. E nenhum empresário consegue liquidar impostos apresentando à autoridade fiscal uma tabela com o número de turistas que lhe passaram pela porta.
Quando se pretende avaliar o sucesso do setor, a pergunta essencial não é quantos vieram, é quanto valor deixaram. As receitas turísticas medem aquilo que realmente interessa, a riqueza criada para trabalhadores, empresas e economia. Mede-se o impacto, não apenas o movimento.
Aliás, a obsessão pelos hóspedes e pelas dormidas produz, por vezes, um raciocínio curioso. Se um turista passa uma semana nos Açores e gasta bem, conta como uma pessoa. Se chegam dez visitantes por um dia, gastam pouco e deixam maior pressão sobre infraestruturas, contam como dez. Estatisticamente parece um triunfo, mas economicamente pode não passar de um aplauso sem bilhete pago.
Em ilhas, onde os recursos são limitados, a ambição não deve ser receber sempre mais pessoas a qualquer custo. Deve ser gerar cada vez mais valor, com inteligência, qualidade e sustentabilidade, receber melhor, em vez de simplesmente receber mais.
No fim de contas, hóspedes e dormidas são indicadores úteis. Mas são como a fotografia da montra. As receitas são a caixa registadora. E, por muito romântica que seja a fotografia, é a caixa registadora que nos diz se o negócio está realmente a correr bem.




