As Escolas e dezenas de milhares de Alunos estão no meio de mais uma época de exames nacionais e do ritual que se repete todos os anos.
Dizem-nos que é possível avaliar, em 3 horas, Alunos com percursos e caraterísticas radicalmente diferentes, aplicando-lhes as mesmas perguntas e os mesmos critérios de classificação. Mas não é.
Peritos de gabinete insistem que essa é a única via para o rigor, a justiça e para selecionar com objetividade. Mas não é.
Ignoram desigualdades sociais, percursos escolares, pontos fortes e fracos. Ignoram a capacidade para resolução de problemas, para trabalhar em equipa e outras competências que os mesmos peritos insistem serem centrais para o mundo do trabalho e para o século XXI. Era útil que se decidissem e fossem coerentes!
É que cada uma destas ferramentas – que serão, de facto, cada vez mais essenciais –, fica de fora dos mesmos exames nacionais que os tais peritos de gabinete tanto elogiam… Neste velho ritual, descaraterizam a aprendizagem, transformando-a num treino repetitivo de tarefas e exercícios.
De uma assentada, reduzem algo tão complexo como a avaliação de competências a um ato meramente técnico e ignoram tudo quanto é investigação científica sobre Educação e realidades sociais. Esforçam-se por passar como moderna uma solução com mais de cem anos e que mais não faz que ampliar as desigualdades sociais.
Este ano, as novidades caricatas dos exames transformaram-nos em algo que, se fosse cinema, seria um filme cómico, digno do inspetor Jacques Clouseau. Infelizmente, trata-se da vida real e o que ficará em causa será – ainda mais que nos anos anteriores – o trabalho dos Alunos, dos Professores e das Escolas.
A destruição dos serviços do Ministério da Educação deixou à vista o resultado da velha máxima neoliberal de que menos Estado é melhor Estado. Já aquilo que se conhece do conteúdo das provas demonstrou, mais uma vez, que estas não servem para a função para a qual foram criadas. Há que construir soluções ajustadas aos nossos tempos, mas isso será assunto para outro texto.




