Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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Morando nas proximidades do Mercado da Graça, habituei-me a circular naquele espaço de compras e pregões todos os sábados e nalgumas manhãs de domingo. O cruzamento da ruralidade dos produtores com a urbanidade citadina era a maior riqueza que brotava naquele espaço, bastante superior à qualidade que os consumidores pagavam em escudos da República.

De quando em vez a praça era animada por um feirante, no sentido mais antigo da expressão, um daqueles vendedores que saltavam de lugar em lugar à procura de novos mercados. O sotaque continental, projetado num altifalante com cadência muito ritmada, distinguia-se nitidamente entre a vozaria dos negócios.

Mas o lado mais interessante destes forasteiros era a sorte de produtos que disponibilizavam ao público – da quinquilharia à genuína banha da cobra, pentes, lâminas, xaropes e utensílios de duvidosa utilidade. Tudo a preço convidativo, que logo subia com a inclusão de ofertas a esmo. Verdadeiramente, os homenzinhos tinham de tudo, deste, e quase do outro, mundo.

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Estas memórias foram-me instigadas pelos cartazes socialistas que nas nossas ruas rivalizam com a propaganda dos festivais de verão. Tal como os ditos feirantes, César tem solução para tudo: baixar o custo de vida e o preço dos combustíveis, tratar da habitação “para quem trabalha” (um plágio ao partido do Pacheco), acomodar os transportes de residentes e turistas e mais o que as meninges ainda hão de ditar.

Ah, para fazer jus ao estio, não podia faltar a reclamação de “uma piscina para todos”! A criatura desistiu de parecer séria.

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