A Comissária de Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 (PDL 26), Kátia Guerreiro, considerou hoje que o projeto não deveria ter sido levado para a “esfera política” e lamentou que se tenha perdido investimento privado.
Kátia Guerreiro afirmou que a PDL 26 pode “finalmente suspirar de alívio, com a aprovação na Assembleia Municipal de Ponta Delgada” das verbas necessárias para o projeto e as “condições que se desejava ter desde o inicio”, e que vai dar-se “todo o gás neste segundo semestre”.
Os vereadores do Chega e do Movimento Ponta Delgada para Todos (PDLPT), face à abstenção do PS, haviam chumbado, em reunião da Câmara Municipal de Ponta Delgada, uma proposta do executivo que “permitia o acesso a mais dois milhões de euros” para a Capital Portuguesa da Cultura.
A 17 de junho, contudo, PSD e PS votaram favoravelmente, também em reunião da Câmara Municipal de Ponta Delgada, uma adenda ao contrato celebrado com o Coliseu Micaelense que assegura dois milhões de euros para a PDL-26.
Kátia Guerreiro, hoje, em conferência de imprensa, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, para fazer um balanço do primeiro semestre da PDL 2026, salvaguardou que o projeto “ultrapassa a esfera política”, sendo “maior de que todos”.
A responsável gostaria que essa questão fosse “blindada da esfera política”, acrescentando que, “neste momento estar-se-ia nas condições ideiais para arrancar” face aos valores entretanto disponibilizados.
Katia Guerreiro não esconde que a ingerência política “prejudicou o potencial” e algum investimento privado no projeto, uma vez que, “a determinada altura, quando se percebeu que não tinha sido aprovado o aditamento ao contrato programa, não se podia ser muito ambiciosos”.
Questionada sobre se os primeiros seis meses da PDL 2026 foram um sucesso, a comissária disse que “os números falam por si”, uma vez que, em 162 dias, foram desenvolvidas 252 ações, 65% das quais com agentes culturais locais e 35% continentais, tendo a adesão do público atingido cerca de 58 mil pessoas.
Katia Guerreiro destacou que “uma das grandes preocupações é desenvolver o lema da PDL 26″, que é o “Lugar de Amanhã”, visando “promover uma mudança a nível de novos hábitos e criando novos públicos”, investindo nas novas gerações “desde os berçários de infância”.
Depois de Aveiro, em 2024, e Braga, em 2025, Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é este ano a Capital Portuguesa da Cultura, um ano antes de Évora ser Capital Europeia da Cultura.
A organização está a trabalhar com um orçamento de 4,3 milhões de euros, proveniente do município (três milhões) e do Governo da República (1,3 milhões), estando a aguardar um milhão de euros do Governo Regional com origem em fundos comunitários.
A criação da figura da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciada pelo ex-ministro da Cultura Pedro Adão e Silva, em Lisboa, em dezembro de 2022, quando deu a conhecer a cidade vencedora da candidatura a Capital Europeia da Cultura.




