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Consta que Galileu, condenado em tribunal por ter publicado factos científicos inconvenientes, terá sussurrado “ela move-se”. Quatro séculos depois, sabemos que a razão estava do seu lado.

Há 30 anos, houve quem tenha anunciado o fim da luta de classes. Precipitaram-se: ela continua tão real como sempre e está cada vez mais aguda. Vemo-la nas guerras das desculpas esfarrapadas, na fome e nas alterações climáticas, nas migrações e nos ataques ao mundo do trabalho. E, embora nem sempre de forma evidente, continua a ser aquilo que, há 160 anos, Marx demonstrou que era: o motor da História e das ações dos povos.

Durante 11 meses assistimos a mais um episódio, a propósito das alterações à lei laboral. Nestes 11 meses, houve duas enormes greves gerais, 6 grandes manifestações nacionais, quase 200 mil assinaturas recolhidas, dezenas de concentrações e de manifestações e milhares de plenários sindicais e de greves. De um lado, esteve quem tem o poder económico e, quase sempre, o poder político. Do outro lado, estiveram aqueles que apenas têm o seu trabalho e que o vendem em troca do salário. Foram estes que construíram a enorme corrente social que derrotou aquilo que muitos garantiram que seria aprovado.

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Sobre tudo isto, muitas mentiras se disseram. A verdade é que, há 11 meses, o governo deu voz à vontade dos grandes empresários, dos que se julgam donos disto tudo, não pensando que os trabalhadores recusariam que os seus filhos tivessem uma vida mais difícil que a sua. Foram estes últimos que tornaram sins em nãos. Que fizeram inverter completamente o discurso e a posição de alguns políticos hipócritas. Para a História, fica o silêncio do governo Regional e o vergonhoso voto contra os trabalhadores dos deputados do PSD que são dirigentes da UGT.

Nestes 11 meses, o mundo do trabalho demonstrou que não aceita que alguns poucos vivam acima das nossas possibilidades. A sua força ficou à vista e mostrou que a luta de classes continua a ser o motor da História. Sobretudo, mostrou que, quando estão determinados, são os trabalhadores e os povos que decidem do seu Futuro!

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