Longe virá o tempo em que deixaremos de ouvir lamentos sobre o fim da operação da Ryanair, melhor dizendo, nem tão cedo deixaremos de imputar àquela circunstância qualquer perturbação na economia açoriana.
É mais cómodo assim: poupamo-nos ao trabalho de identificar outras causas para as oscilações do mercado e atribuímos a culpa à governação, que o mesmo é dizer, fica justificada a reclamação dos devidos subsídios para compensar o dano. No fundo o discurso é simples, a lógica é sempre a mesma, os lucros são privados e o prejuízo socializado.
Mas não é desta parte que quero falar hoje, é de outro efeito, mais concretamente o emprego, que talvez um dia também será relacionado com o trágico fim dos voos da companhia irlandesa.
Os dados nacionais divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) não podiam ser mais claros. Em maio, o número de desempregados registados nos centros de emprego caiu 11,3%, a segunda maior descida do país, relativamente ao mesmo mês do ano passado. Dito de forma mais precisa, são menos 1.223 açorianos desempregados.
Essa diferença, que é muito significativa para quem garantiu rendimento do trabalho, passou quase desapercebida nos jornais e nas rádios e na televisão pública nem teve direito a uma nota de rodapé. Tivesse a oscilação sentido inverso – crescimento do número de desempregados – e logo o assunto teria honras de primeira página e a aturados debates, com os especialistas do costume a sentenciarem o culpado disto tudo.
PS: Em maio de 2019 registava-se mais 46% de desempregados inscritos na Região!




