A exposição “Sete Retratos e Outras Obras em Forma de Enlace”, a inaugurar no sábado no centro de artes Arquipélago, nos Açores, vai “contar histórias” sobre Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes para celebrar a obra dos dois artistas.
“Além da qualidade das obras e da tentativa de mostrar várias épocas da obra de cada um dos artistas, em particular de Vieira da Silva – a artista que tem mais obras nesta exposição – queremos contar histórias. Enquanto curador, parece-me muito importante e oportuno que se contem histórias”, explicou à agência Lusa Nuno Faria, curador da exposição e diretor do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, em Lisboa.
“Sete Retratos e Outras Obras em Forma de Enlace” vai ser inaugurada no sábado no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas dos Açores, enquadrada na Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026.
“É um momento muito especial porque nunca a obra de Vieira da Silva e de Arpad Szenes foi mostrada com esta extensão no arquipélago dos Açores”, acrescentou o curador.
Nuno Faria destacou que a exposição pretende “contar a história de um percurso comum” de Vieira da Silva (1908-1992) e Arpad Szenes (1897-1985), que foram um casal durante mais de cinco décadas e viveram grande parte da vida em Paris.
“A história principal é a relação entre dois artistas que desde muito cedo se cruzaram, se uniram, partilharam a vida, mas também a arte de cada um. São duas obras extraordinárias”, destacou o também diretor do Museu da Fundação Arpad Szenes — Vieira da Silva, em Lisboa.
A exposição conta, ainda, uma “história específica” relacionada com o exílio no Brasil, na sequência da II Guerra Mundial, devido às origens judaicas de Arpad Szenes, natural da Hungria.
“Vamos contar uma história específica, que é a história da travessia atlântica que Arpad e a Vieira fizeram durante a II Guerra Mundial e o exílio que foram forçados a fazer no Brasil. Incidimos muito nesta exposição em obras feitas nesse período”.
Existe depois, prossegue Nuno Faria, uma “história transversal à carreira de Vieira da Silva” relacionada com as gravuras, em que é abordado o tema da “resistência de regimes autoritários”, através da evocação de duas figuras da cultura francesa, André Malraux e René Char.
“Também vamos contar essa história de resistência a regimes autoritários, ao fascismo e a própria passagem pela guerra”.
Além de obras dos dois artistas, a exposição apresenta documentação, fotografias e dois retratos fotográficos do artista luso-brasileiro Fernando Lemos, e vai contar com um programa de mediação sobre a “metamorfose e a solidariedade interespecies”.
“Da Vieira temos um conjunto de obras que vão até aos anos 70. Vamos ver coisas mais abstratas, coisas mais figurativas. Vamos também contar a história do percurso artístico da Viera da Silva, que é protagonista nesta exposição”, resume o curador.
A exposição, que vai ficar patente até 08 de novembro, resulta de uma parceria entre o Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, a Fundação Arpad Szenes — Vieira da Silva e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).




