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O líder do PS/Açores, Francisco César, defendeu hoje a revisão do modelo de financiamento dos bombeiros, considerando que as associações humanitárias estão a suportar custos que deveriam ser assumidos pelo Governo Regional.

“Os bombeiros aguardam há demasiado tempo pela atualização da Portaria das Condições de Trabalho. É fundamental garantir salários condizentes com o trabalho que realizam e com o serviço essencial que prestam às comunidades”, afirmou o socialista citado numa nota de imprensa do partido, após uma reunião com o Sindicato Nacional da Proteção Civil.

Francisco César alertou para as dificuldades que afetam os bombeiros açorianos, “desde salários desajustados face ao aumento do custo de vida até à falta de financiamento das associações humanitárias”, e lamentou que o Sindicato Nacional da Proteção Civil “continue sem ser recebido” pelo presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), afirmando que o setor “tem sido sucessivamente ignorado”.

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Apontou também discrepâncias nos pagamentos pelos transportes de doentes não urgentes, referindo que, em Ponta Delgada, o Hospital do Divino Espírito Santo e a Unidade de Saúde de Ilha pagam valores distintos pelo transporte de doentes não urgentes.

“Estamos a falar da mesma entidade pública […] a pagar valores completamente diferentes por serviços semelhantes […]. Isto demonstra a falta de coerência e de justiça no financiamento dos bombeiros”, afirmou.

Para o líder do PS/Açores, o problema “vai além dos bombeiros e reflete uma prática recorrente do Governo Regional” liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro. As instituições particulares de solidariedade social, acrescentou, “prestam serviços à comunidade e recebem menos do que aquilo que esses serviços custam”.

“Os bombeiros fazem exatamente a mesma coisa. O Governo [Regional] transfere para as instituições responsabilidades que são suas, mas não transfere os recursos necessários para as cumprir”, apontou.

Segundo o PS, este modelo “está a colocar em risco” a sustentabilidade das associações humanitárias e também a capacidade de atrair e de reter profissionais.

“Se continuarmos a pedir mais aos bombeiros sem lhes dar financiamento, sem atualizar carreiras, sem renovar meios e sem garantir condições dignas de trabalho, teremos cada vez menos pessoas disponíveis para exercer esta profissão”, alertou.

Francisco César defendeu ainda o reforço da chamada “frota vermelha”, a atualização dos meios operacionais das corporações e a criação de condições para que as associações humanitárias da região possam aceder a fundos comunitários destinados à modernização de equipamentos e de infraestruturas.

O socialista propôs a criação de uma “mesa de trabalho” entre Governo Regional, sindicatos e associações humanitárias de bombeiros para rever o modelo de financiamento e garantir que os serviços prestados às populações são devidamente remunerados.

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