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As festas Sanjoaninas, que arrancam hoje em Angra do Heroísmo, nos Açores, apresentam um número recorde de marchas populares, num total de 49, incluindo 12 que chegam de outras ilhas e do Canadá.

“Temos um número muito considerável. São 49 marchas a participar nos dois dias de desfile. No dia 23, temos 34 marchas de adultos e, no dia 24, além das nove marchas de crianças, mais seis de adultos. Portanto, é um número bastante expressivo”, afirmou à agência Lusa o vice-presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Guido Teles.

Durante 10 dias, a cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, celebra o São João com cortejos, marchas populares, música, gastronomia, tauromaquia, desporto e exposições, entre outras atividades.

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A noite de São João é uma das mais aguardadas, pelo desfile de marchas populares, e o número de inscrições tem aumentado, de ano para ano.

Em 2024, desfilaram 42 marchas de adultos e seis de crianças, número que deverá voltar a ser ultrapassado, este ano, apesar de já se terem registado três desistências.

Há cada vez mais grupos a chegar de fora da ilha e alguns organizam marchas de propósito para participar nas festas.

“É o resultado do crescimento das Sanjoaninas. Felizmente as nossas festas têm tido essa capacidade, de ano para ano, de crescer em projeção, em reconhecimento, também pelo público. E, felizmente, cada vez temos mais grupos que se juntam, não só cá na ilha, mas também provenientes de outras ilhas dos Açores, da Região Autónoma da Madeira, do continente e das próprias comunidades emigrantes”, salientou o autarca.

Só da ilha de São Miguel chegam, este ano, seis marchas populares, a que se juntam uma da Graciosa, uma de São Jorge, uma do Pico, uma do arquipélago vizinho da Madeira e duas do Canadá.

No total, entre os marchantes e os músicos das filarmónicas que os acompanham, o município estima que desfilem pelas principais ruas da cidade mais de 4.500 pessoas.

“Tem sido um dos principais aspetos que têm contribuído para o crescimento das festas e para o crescimento do número de pessoas que nos visitam neste período das Sanjoaninas. Tem sido fundamental para que as Sanjoaninas se tenham transformado naquelas que hoje são claramente as maiores festas dos Açores”, vincou Guido Teles.

Aos participantes em marchas, filarmónicas e grupos de folclóricos juntam-se os familiares e amigos que os acompanham e que contribuem, junto com os turistas, para a dinamização da economia da ilha.

“Alguns destes participantes diretos na festa preferem ficar alojados em unidades hoteleiras, em alojamentos locais, muitos deles alugam carros, além de utilizarem serviços como a restauração. Portanto, são vários milhares de pessoas que acabam por se deslocar às Sanjoaninas para fazer a festa, para participar diretamente na festa e, também, contribuir para a economia da ilha”, salientou o autarca.

A noite de São João é “a noite mais longa do ano” em Angra do Heroísmo, mas só se deverá saltar a fogueira depois da última marcha passar, o que o município estima que aconteça “pouco depois das cinco da manhã”.

A elevada adesão das marchas já levou a autarquia a dividir os desfiles em duas noites e no próximo ano deverá criar um regulamento para ajudar à organização.

“O objetivo nunca será restringir muito a participação. Temos sempre como pressuposto e como princípio essencial que, sendo uma manifestação popular e de iniciativa comunitária, as noites das marchas devem ser abertas à participação da população”, explicou o vice-presidente da autarquia.

Este ano, as festas contam também com um número recorde de tasquinhas, que se espalham pelo centro da cidade, algumas dando uma nova vida a prédios fechados.

“Temos um número muito considerável de espaços gastronómicos. São 78 espaços, 63 oficiais e 15 não oficiais, sem contar com as vendas móveis que vão ocorrendo um pouco por toda a área de realização das festas”, revelou Guido Teles.

As festas Sanjoaninas são um dos momentos do ano com maior procura de visitantes pela ilha Terceira e este ano espera-se uma nova enchente nas ruas de Angra do Heroísmo, ainda que o autarca tema que o fim da operação da companhia aérea de baixo custo Ryanair possa condicionar a deslocação de turistas do continente.

“Os preços que estão a ser praticados pelas companhias aéreas que fazem ligação à ilha Terceira, no caso a TAP e a SATA, são preços muito elevados e que obviamente fazem com que muita gente, que gostaria de estar presente nas Sanjoaninas, não tenha depois a possibilidade de o fazer”, alertou.

Com o tema “Angra e a Açorianidade”, que assinala os 50 anos da Autonomia dos Açores, as festas Sanjoaninas decorrem até 28 de junho.

Pelo palco principal de espetáculos musicais passam nomes como Wet Bed Gang, Ivo Lucas, Matias Damásio, Vizinhos, Sippinpurpp, Mariza, Irina Barros e Nuno Ribeiro.

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