Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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A visita apostólica do Papa Leão XIV a Espanha ficará como um raro momento de unanimidade num tempo em que até o consenso sobre a cor do céu parece discutível. Sete minutos de aplausos no parlamento espanhol. Sete minutos não são apenas uma manifestação de respeito institucional, são quase um milagre contemporâneo.

Em Madrid, deputados de todas as sensibilidades políticas levantaram-se, bateram palmas e reconheceram, pelo menos durante aquele tempo, a dimensão histórica, cultural e espiritual de uma figura que transcende fronteiras partidárias. É um gesto que revela maturidade democrática e um certo sentido de proporção, qualidades que vão escasseando.

Em Portugal, tal cenário seria, evidentemente, impossível. Não por falta de cadeiras ou de mãos disponíveis para aplaudir, mas por um zelo quase militante na interpretação do conceito de “Estado laico”, um conceito frequentemente manejado como um escudo conveniente e seletivo para evitar qualquer expressão de respeito institucional pela Igreja Católica.

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Curiosamente, a laicidade invocada só parece despertar quando o objeto é um símbolo cristão. Noutras circunstâncias, a mesma preocupação desaparece com uma rapidez admirável. É uma laicidade à medida, rigorosa quando convém, flexível quando dá jeito.

Em Lisboa, o mais provável seria um silêncio constrangido, entrecortado por alguns olhares indignados e a vigilância atenta dos guardiões do “equilíbrio institucional”. Sete minutos de aplausos? Só se fosse por engano… ou com autorização prévia de uma comissão especializada.

Que diferença.

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