A Administração da Fábrica de Tabaco Micaelense (FTM) veio contestar as declarações públicas do SITACEHTT/Açores sobre o processo de negociação salarial em curso, garantindo que não existe qualquer bloqueio nas conversações e defendendo que a proposta apresentada pela empresa assegura a manutenção do poder de compra dos trabalhadores.
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a FTM afirma que o processo negocial tem decorrido com várias reuniões entre a administração e as estruturas sindicais, envolvendo propostas e contrapropostas, considerando que a evolução das negociações demonstra “um processo bilateral, contínuo e responsável”.
A empresa rejeita também a existência de um cenário de descontentamento generalizado entre os trabalhadores, sublinhando que conta atualmente com 96 colaboradores e que não recebeu qualquer indicação nesse sentido através dos canais internos de diálogo.
A administração acrescenta que o sindicato não representa a totalidade dos trabalhadores da empresa, pelo que considera que as posições transmitidas publicamente não podem ser assumidas como representativas de todo o universo laboral da FTM.
Relativamente à componente salarial, a fábrica defende que a atualização proposta, de 2,75%, está acima da inflação regional registada em 2025, fixada em 2,13%, garantindo, segundo a empresa, a preservação do poder de compra dos trabalhadores.
A FTM destaca ainda que tem mantido uma política regular de valorização salarial, referindo que entre 2022 e 2025 os aumentos mínimos anuais na tabela salarial tiveram uma média de 3,34%, além dos acréscimos associados à evolução do salário mínimo.
A administração salienta igualmente que o salário médio dos trabalhadores da empresa atingiu, em dezembro de 2025, os 1.481 euros, valor que compara com médias de 1.335 euros nos Açores e 1.370 euros no conjunto do país, segundo os dados apresentados pela própria empresa.
No esclarecimento divulgado, a FTM rejeita ainda a ideia de ausência de reconhecimento pelo trabalho dos seus colaboradores, apontando mecanismos como diuturnidades, progressões, promoções e valorizações individuais. A empresa refere que, em 2025, 34% dos trabalhadores beneficiaram de promoções.
A administração recorda também um conjunto de benefícios atribuídos aos funcionários, incluindo seguro de saúde, fundo de pensões com contribuição da empresa, subsídio de alimentação superior ao praticado na Função Pública, redução do horário semanal face ao limite legal e condições específicas para trabalho suplementar.
A Fábrica de Tabaco Micaelense afirma que não pretende ser utilizada como instrumento numa estratégia sindical de pressão sobre outras empresas e reafirma o compromisso com a estabilidade dos postos de trabalho e com uma política salarial considerada sustentável.
A empresa garante que continuará disponível para processos negociais equilibrados, defendendo que as decisões remuneratórias devem conciliar a valorização dos trabalhadores com a sustentabilidade económica e financeira da organização.




