O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, defendeu hoje que a transição digital é “o meio mais poderoso” para mitigar a ultraperiferia do arquipélago, tornando as empresas da região mais competitivas.
“A transição digital não é um fim em si mesma, é o meio mais poderoso que temos para mitigar a nossa ultraperiferia, para aproximar a administração dos cidadãos, para tornar as nossas empresas mais competitivas e para proteger a nossa soberania e resiliência globalizada. A Digital Atlantic Summit é a prova viva de que o Atlântico já não nos isola. O Atlântico digital liga-nos ao mundo”, afirmou.
O vice-presidente do executivo açoriano (PSD/CDS/PPM) falava em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na abertura da primeira edição da Digital Atlantic Summit, um evento que junta decisores, especialistas e representantes institucionais e empresariais do setor digital.
Segundo Artur Lima, a cimeira nasceu com o propósito de “mostrar trabalho, demonstrar investimento e prestar contas”.
“Queremos dar visibilidade e rosto ao esforço que o Governo Regional tem feito nas áreas das infraestruturas digitais, da cibersegurança e da modernização administrativa”, salientou.
Durante dois dias, o Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo, acolhe conferências sobre vários projetos que estão a decorrer nos Açores.
Artur Lima destacou como exemplos o Azores Cyber 360, “um projeto transversal de cibersegurança que permitiu estabelecer um Security Operations Center regional de última geração”, e a Azores Cloud, “suportada por dois ‘datacenters’, em ilhas distintas, garantindo redundância e resiliência e a segurança dos dados” da administração pública regional.
Marco Bettencourt, fundador da empresa Red Cat Pig, instalada na ilha Terceira, foi à Digital Atlantic Summit dizer que é possível trabalhar no digital a partir de uma ilha no meio do Atlântico.
Fundada em 2019, com três elementos, a empresa conta hoje com 50 funcionários, incluindo alguns que trocaram outros países ou outras partes de Portugal pelos Açores.
“Temos empurrado, digamos assim, este barco para a frente e temos abanado muito a bandeira de que a qualidade de vida que os Açores nos facilita é algo extremamente positivo para esse tipo de indústrias”, salientou, em declarações aos jornalistas, à margem do evento.
Ricardo Matos, da Palo Alto, desenvolve há cerca de cinco anos um projeto de cibersegurança para o executivo açoriano e acredita que nos próximos anos se vai assistir a um “crescimento da importância dos Açores” no setor digital.
A insularidade existe, mas o arquipélago tem a seu favor “uma posição estratégica” entre a Europa e os Estados Unidos e uma “boa conectividade”, disse.
“Acho que há uma oportunidade diferente aqui dentro dos Açores, que se torna muito interessante. Ainda no outro dia via nas notícias a Google a trazer os seus ‘data centres’ para esta região, os ‘hubs’ de comunicações, e eu acho que o tecido empresarial tem de perceber como é que consegue tirar partido dessa vantagem. Não há muita coisa nesta latitude e acho que é uma mais-valia muito grande da região”, apontou.
A Ask Blue conta lançar em setembro, nos Açores, uma loja do cidadão virtual, em que o cidadão possa pedir qualquer serviço e acompanhá-lo em formato digital.
Ana Pinto defendeu que é um “projeto completamente inovador”, que está a ser criado no arquipélago, mas poderá ser replicado noutras partes do país ou no estrangeiro.
A empresa, que trabalha para vários países, tem sede no continente, mas já abriu um escritório na ilha Terceira e prevê reforçar a presença nos Açores.
“Queremos agora começar a construir e a envolver também as universidades, para trazer estagiários, e no fundo crescer um bocadinho também aqui localmente, porque achamos que é diferenciador”, revelou Ana Pinto.
A Digital Atlantic Summit decorre até terça-feira em Angra do Heroísmo, mas tem uma segunda edição marcada para os dias 18 e 19 de junho no Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.




