Autor: PM | Foto: Gonçalo Rosa
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O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) nos Açores, António Lima, afirmou que não tem “grandes dúvidas” de que o PSD/Açores acabará por se aproximar do Chega, defendendo que o atual Governo Regional atravessa uma fase de instabilidade e criticando soluções que possam concentrar serviços públicos em São Miguel.

Em entrevista ao podcast “Ao Vivo na Livraria”, gravado na Lar Doce Livro, com apresentação do jornalista Joel Neto, António Lima considerou que a governação regional perdeu estabilidade após o anúncio do fim da coligação PSD/CDS/PPM feito pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, e pelas divergências públicas entre parceiros do executivo.

“O Governo acabou. E foi no pior momento para os Açores”, afirmou o dirigente bloquista, citado na entrevista, defendendo que a Região se encontra atualmente sem uma orientação política clara.

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Questionado sobre o futuro político dos Açores, António Lima admitiu que o BE poderá contribuir para a viabilização de uma solução governativa liderada pelo Partido Socialista após as próximas eleições, embora rejeite uma participação direta do CDS num eventual executivo apoiado pelo partido.

O coordenador regional do BE garantiu, contudo, que o partido irá apresentar-se sozinho a sufrágio.

“Não tenho grandes dúvidas de que o PSD/Açores vai acabar nos braços do Chega”, afirmou António Lima, numa análise sobre possíveis alianças políticas futuras.

Na área da saúde, o deputado regional mostrou-se contrário à criação de um Hospital Central dos Açores, afirmando desconhecer ainda o modelo concreto que está em causa, mas rejeitando qualquer solução que implique retirar valências hospitalares das ilhas Terceira ou Faial para as concentrar em São Miguel.

“Seria um retrocesso colossal”, afirmou, acrescentando que existe “centralismo em São Miguel” dentro da própria Região.

António Lima defendeu que a organização dos serviços de saúde deve garantir equilíbrio territorial e proximidade às populações das diferentes ilhas.

Durante a entrevista, o dirigente bloquista abordou ainda temas como a Autonomia Regional, a privatização da companhia aérea SATA e a utilização da Base das Lajes para operações militares norte-americanas, áreas em que tem assumido posições críticas.

António Manuel Raposo Lima, de 45 anos, nasceu em Ponta Delgada, é licenciado em Biologia e Geologia e exerce funções como professor. Filiou-se no Bloco de Esquerda em 2011, depois de uma passagem como deputado municipal independente em Ponta Delgada.

Foi deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores entre 2017 e 2018 e assumiu a coordenação regional do BE em 2020, ano em que o partido alcançou, segundo o próprio, o seu melhor resultado em eleições legislativas regionais.

Nas eleições regionais de 2024 foi eleito pelo Círculo de Compensação, deixando o BE sem grupo parlamentar na Assembleia Legislativa Regional.

 

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