A notícia terá provocado muitos nós na barriga. A razão indicada pelo banco central europeu para a nova subida dos juros é, sendo simpático, ridícula: aumenta-se o custo de vida para controlar a inflação.
Não cabe aqui uma análise ao facto de a inflação não ser afetada pelos custos com a habitação e pelos juros. A questão é outra: novamente, a vida ficará mais difícil, penalizando quem não tem culpa nenhuma. Mais uma vez, não se ataca a raiz do problema e somos alegremente arrastados para mais uma guerra sem fim à vista.
Uns enviam os filhos dos outros para a morte. Outros vendem armas, especulam e lucram. Quem vive do seu trabalho, paga tudo isto – com a sua vida ou com uma vida mais difícil. Entretanto, está à vista que nenhuma das guerras em curso terminará pela via militar – só pela via política e diplomática.
Na mesma semana, as estatísticas demonstraram aquilo que, há muito, já se sabe: é cada vez menor a diferença entre os salários médio e mínimo – realidade que, como se sabe, é mais grave nos Açores. O problema central está na estagnação da generalidade dos salários e num custo de vida galopante.
Temos 2,5 milhões de Trabalhadores que recebem até 1020€ – valor incapaz de garantir uma vida digna e de afastar a pobreza (a pobreza da vida real, e não a olhada a partir de gabinetes com ar condicionado e das estatísticas sem rosto). A resposta passa pela inversão da lógica para a qual a política europeia nos arrastou.
Urge romper com a economia dos baixos salários. Urge quebrar a fragilidade dos Trabalhadores e dos Pequenos Empresários – aqueles que constroem a riqueza e a vida de todos os dias. Urge valorizar a negociação sindical, os contratos coletivos de trabalho e as carreiras profissionais.
O anúncio da decisão do BCE no Dia de Portugal expõe a fragilidade da nossa soberania. Estamos dependentes de um poder não escrutinável, que nos menospreza e manda mais na nossa vida do que qualquer poder político democraticamente eleito. Quando a Autonomia faz meio século, dependemos de decisões de quem nem imaginará onde ficam os Açores… Mas isto, será apenas até ao dia em que decidamos o contrário!




