Os dois vereadores socialistas na Câmara Municipal de Ponta Delgada disseram hoje que estão disponíveis para uma “solução equilibrada” que permita o acesso da autarquia a dois milhões de euros para a Capital Portuguesa da Cultura – PDL26.
“O Partido Socialista está disponível para dialogar, apresentar contributos e participar numa solução equilibrada, transparente e capaz de assegurar a execução deste projeto no interesse da cidade e dos seus cidadãos”, referiram os dois vereadores do executivo municipal de Ponta Delgada, nos Açores, eleitos pela coligação PS/BE/PAN/Livre.
A posição de Rui Melo e de Célia Pereira consta de um comunicado divulgado após a autarquia liderada pelo social-democrata Pedro Nascimento Cabral ter informado que os vereadores do Chega e do Movimento Cívico e Independente Ponta Delgada para Todos (PDLPT) chumbaram uma proposta do executivo que “permitia o acesso a mais dois milhões de euros” para a Capital Portuguesa da Cultura.
“Face ao extremar de posições em torno do aditamento ao contrato-programa com o Coliseu Micaelense, instrumento essencial para a concretização da Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026, os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal de Ponta Delgada manifestam a sua total disponibilidade para encetar conversações com o executivo municipal”, referem.
Para o PS, trata-se de um assunto “demasiado importante para ficar refém de bloqueios políticos ou de posições fechadas”.
Os dois vereadores socialistas consideram, ainda, que o projeto da PDL26 representa “uma oportunidade única para mobilizar investimento, captar financiamento, dinamizar a economia local e valorizar o trabalho de todos aqueles que fazem cultura” no concelho.
Assim, Rui Melo e Célia Pereira salientam que “deve ser feito um esforço responsável para encontrar uma solução que permita ultrapassar o atual impasse e garantir que Ponta Delgada não perde esta oportunidade”.
“A cultura de Ponta Delgada não pode ser prejudicada por falta de entendimento político”, rematam.
O município de Ponta Delgada explicou em comunicado que, com o chumbo da proposta apresentada pelo executivo, o projeto PDL26 “deixa de ter acesso ao financiamento inicialmente previsto de 5,3 milhões de euros, uma vez que perde o investimento proveniente do Turismo de Portugal, de fundos comunitários e de diversos patrocínios de empresas privadas, reduzindo assim o orçamento inicial do projeto de 5,3 milhões para cerca de três milhões de euros”.
“A iniciativa do executivo do PSD visava garantir o acesso ao financiamento dos restantes dois milhões de euros, tendo sido rejeitada com os votos contra do Chega e do PDLPT e a abstenção do PS, impedindo, desta forma, a concretização do orçamento inicialmente previsto de 5,3 milhões de euros”, referiu.
O voto contra dos eleitos dos dois partidos “impede o acesso ao referido financiamento, causando um grave prejuízo à programação cultural da Capital Portuguesa da Cultura e representando um profundo desrespeito pelo trabalho desenvolvido por todos os produtores e agentes culturais que tinham a legítima expectativa de participar plenamente na PDL26”, acrescentou.
Na nota, o município sublinha, ainda, que com a rejeição da proposta, deixam de estar assegurados cerca de 305 mil euros de patrocínios, 650 mil euros do Turismo de Portugal, cerca de 16 mil euros de receitas de ‘merchandising’ e uma candidatura financiada em um milhão de euros através do Portugal 2030 (dependente de uma comparticipação municipal de 176 mil euros).
O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada lamenta “profundamente” os votos contra do Chega e do PDLPT, afirmando que a decisão “significa um corte de cerca de dois milhões de euros no projeto da Capital Portuguesa da Cultura, inviabilizando um instrumento fundamental para captar financiamento externo e reforçar a capacidade de execução deste projeto estratégico para o concelho e para os Açores”.
A Câmara Municipal de Ponta Delgada tem três eleitos do PSD, três do Movimento Cívico e Independente Ponta Delgada para Todos (PDLPT), dois da coligação PS/BE/PAN/Livre e um do Chega.
A PDL26 arrancou no dia 29 de janeiro, com o espetáculo inaugural “Deixa Passar a Vida”, inspirado no poema “Ode à Paz”, de Natália Correia, sob direção artística de António Pedro Lopes.










