Seguro não começou bem, escrevi há uma semana aqui e no jornal Açores 9, a propósito da celebração do Dia de Portugal, na Terceira, para a qual não foram convidados todos os deputados do nosso Parlamento. Celebrar a Autonomia sem os representantes do Povo Açoriano é difícil de explicar e mais difícil ainda de aceitar.
Lendo Suas Excelência o artigo (seja-me permitida a vaidade), trataram de emendar a borrasca, com requinte institucional. Em pleno feriado do Corpo de Deus, já o almoço chegara à mesa, tocou o telemóvel. Do outro lado um misterioso número de Lisboa. O Protocolo de Estado a solicitava o email, para onde depois foi enviado o famigerado convite (que nunca pensaram nem quiseram fazer). Note-se, três dias úteis antes das celebrações e com a santidade digna do feriado: resposta obrigatória no próprio dia. Uma janela temporal à medida de quem tem um avião à porta e um hotel em standby. Portanto, ignorando, com a habitual ligeireza de Lisboa, que viver numa ilha não é propriamente o equivalente a apanhar o carro de Braga para Faro. Mas isso são minúcias geográficas, quase excentricidades regionais.
(Os convidados da praxe, esses sim, haviam sido chamados para o festim nos idos 14 de maio… e com dez dias para decidir.)
Quem não atendeu o telefonema nunca recebeu o convite, por falta do respetivo endereço de email!
Ah, como cereja no topo do protocolo, o convite incluía almoço, presumo, a velha técnica de apanhar o peixe pela boca. Só esqueceram que, nas ilhas, o peixe conhece bem os anzóis e este vinha com linha curta demais.
De nada valeu a condição açoriana da senhora Representante da República e do Presidente da Assembleia Legislativa.
Enfim.




