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Mais de quatro anos após a invasão em larga escala da Ucrânia, a União Europeia prepara o seu 21º pacote de sanções contra a Rússia. As novas medidas incidem sobre setores como a energia, a atividade piscatória, o sistema financeiro, a chamada “frota fantasma” utilizada para contornar restrições ao petróleo russo e, pela primeira vez, incluem limitações dirigidas a antigos combatentes russos.

À primeira vista, este novo pacote parece confirmar uma estratégia de continuidade. Desde 2022, Bruxelas tem procurado enfraquecer de uma forma progressiva a capacidade económica de Moscovo para sustentar a guerra, tendo recorrido a sucessivas rondas de sanções de carácter económico e financeiro.

Mas, passados tantos pacotes, a questão que se coloca de um modo inevitável é se estarão estas medidas a cumprir o seu objetivo?

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Os defensores desta política argumentam que sim. A economia russa enfrenta dificuldades crescentes, os custos de financiamento aumentaram e Moscovo foi obrigada a adaptar toda a sua estrutura comercial e energética para contornar as restrições ocidentais. As sanções, dizem, não produzem efeitos imediatos, mas funcionam como um processo de desgaste prolongado, destinado a limitar a capacidade da Rússia de sustentar um conflito de longa duração.

No entanto, há um dado que considero ser incontornável. Apesar dos 20 pacotes anteriores, a guerra continua. A Rússia encontrou novos mercados, aprofundou relações com a China, com a Índia, e outros parceiros relevantes e demonstrou uma capacidade de adaptação superior àquela que muitos antecipavam. Por isso, cresce a dúvida sobre se as sanções são verdadeiramente um instrumento de mudança estratégica ou se se terão transformado, acima de tudo, numa tentativa de afirmação da política de unidade europeia.

Talvez a resposta se situe entre ambas as leituras.

As sanções nunca tiveram como objetivo provocar um colapso imediato da Rússia ou forçar a retirada instantânea da Ucrânia. A sua função é aumentar os custos da guerra e reduzir, tanto quanto possível, os recursos disponíveis para a máquina militar russa. Nesse sentido, a ausência de resultados rápidos não significa necessariamente uma ausência de eficácia. Contudo, também me parece que seria ingénuo ignorar que as sanções são limitadas. Num mundo cada vez mais multipolar, em que países como a China desempenham um papel económico cada vez mais central, isolar completamente uma potência como é o caso da Rússia, é uma tarefa praticamente impossível.

No final de contas, a questão já não é apenas saber se a Rússia tem ou não capacidade de resistir a sanções. É sim, saber se o Ocidente conseguirá resistir ao desgaste de uma guerra sem fim à vista.

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