Hora e Ordem de entrada em actividade nesta época do ano (maio e junho): 04h30-Os 3 galos começam a cantar e entram em ação de acordo com uma prioridade estabelecida por eles, 05h30-Começam a cantar os melro-negros e praticamente todos ao mesmo tempo, o som que nos chega é digno dos melhores Grupos Corais e acompanhados por Orquestras de elevada qualidade, 06h00-Entram em cena os pombos-torcazes com o seu som característico e grave, 06h30-Começam em atividade as rolas turcas e abafam todos os outros sons, emitem sons que sugerem que “estão a pedir socorro”, que alternam com “uma gargalhada abafada”, emitem um som de 3 notas, e este tipo de rolas tem hoje nos Açores efetivos que em algumas zonas, atingem proporções de bando.
07h00-Temos os piscos-de-peito-ruivo, que na ilha de São Miguel, são conhecidos como os Papinhos, emitem sons extraordinários, que alternam entre o canto e o chamamento.
Nas Zonas Rurais na altura em que os Correios tinham um papel central e as cartas eram um meio fundamental de comunicação entre as pessoas, para saber se íamos receber uma carta ou não, perguntava-se ao Papinho: “Papinho, Papinho, se vou receber carta? Vira-me o Rabinho”.
Já com o dia em plena luz os sons são variados e caóticos, com as galinhas, alguns canários da terra (poucos), os pardais, um ou outro tentilhão, os patos que praticamente não dormem e durante a noite estão muito ativos, as galinhas da guinê da vizinhança, e até os estorninhos dos Açores, todos emitem sons, como que num exercício de afirmação de identidade.
Depois tudo se cala a partir do fim da manhã, para reaparecerem lá para o fim da tarde. Quantas mais árvores, e um saudável meio ambiente, mais aves e mais pássaros, esta é uma regra de ouro. É o ciclo natural da vida da natureza e nas diferentes estações do ano. Uma sociedade que perserva o seu meio natural e ecossistema é mais resiliente e solidária.




