Nem sempre os atos correspondem à nobreza das intenções e por isso se vai enchendo o inferno. Talvez seja o caso.
A decisão de realizar as comemorações do Dia de Portugal na ilha Terceira, assinalando simbolicamente os 50 anos da Autonomia Regional, foi apresentada como um gesto de reconhecimento da importância histórica e política dos Açores no todo nacional.
As cerimónias contarão com muitas dezenas de convidados vindos do território continental – figuras do Estado, corpo diplomático, toda a sorte de gente… Ainda bem. É uma oportunidade para dar a conhecer a ilha onde “já só foi Portugal”.
No entanto, todo o simbolismo perde força quando não é acompanhado por coerência institucional. O Presidente António José Seguro, ou quem de sua confiança, tratou de deixar de fora os deputados regionais. A representação da nossa Assembleia Legislativa far-se-á em modo mínimo – Presidente e líderes parlamentares. Tão pouco os eleitos pela ilha Terceira terão direito à presença nas cerimónias.
Convenhamos, os deputados regionais não são meros figurantes do sistema político. São os representantes diretos da vontade democrática dos açorianos. Excluí-los de um momento que pretende, precisamente, celebrar a Autonomia é uma contradição difícil de explicar e ainda mais difícil de aceitar.
Mais do que uma questão de protocolo, é de respeito institucional que se trata.
A Autonomia tem rosto, tem representação e tem legitimidade democrática. Ignorar essa realidade em cerimónias oficiais é esvaziar o próprio sentido da celebração.
Seguro não começa bem. Pelo contrário.




