A Polícia Judiciária (PJ) vai investir 5,5 milhões de euros (ME) na adaptação de um edifício em Ponta Delgada, para futura sede do Departamento de Investigação Criminal (DIC) dos Açores, divulgou hoje a Direção Nacional.
O tema das futuras instalações da PJ nos Açores foi hoje abordado pelo diretor nacional, Carlos Cabreiro, e pelo diretor do DIC dos Açores, Renato Furtado, na cerimónia do 50.º aniversário da instituição, realizada no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Renato Furtado foi o primeiro a falar do assunto, ao afirmar que o atual projeto que está em curso para adaptar o edifício já adquirido na Rua de São Gonçalo para nova sede da PJ, permitirá “aglomerar” todos os elementos que atualmente estão repartidos por mais do que um local em Ponta Delgada.
As futuras instalações, segundo o responsável, também permitirão apetrechar a PJ de “uma criminalística atualizada às exigências do momento, de perícia financeira e contabilística, de perícias informáticas”, pois o espaço existente – na Praça Gonçalo Velho – “já não é adequado”.
“Esperemos que em 2027 ou [no] início de 2028, este projeto esteja terminado”, desejou Renato Furtado.
Posteriormente, no seu discurso, feito à distância, o diretor nacional da PJ indicou que a execução do projeto para adaptação do edifício está em curso, prevendo o lançamento da empreitada “em setembro ou outubro” deste ano.
Segundo Carlos Cabreiro, o investimento previsto é da ordem dos 5,5 milhões de euros.
O diretor nacional indicou, ainda, que a PJ nos Açores possui atualmente 68 trabalhadores, encontrando-se 50 em Ponta Delgada, 14 na extensão de Angra do Heroísmo (Terceira) e quatro na extensão da Horta (Faial).
Na cerimónia, o diretor do DIC da PJ passou em revista os momentos e a atividade dos últimos 50 anos e referiu alguns aspetos estatísticos.
Renato Furtado adiantou que a PJ realizou mais de 42 mil investigações e fez mais de duas mil detenções (destacando-se 177 por homicídio, 351 por crimes sexuais e 1.164 por tráfico de estupefacientes).
Foram apreendidas 23 toneladas de haxixe, cinco toneladas de cocaína, 709 quilogramas de heroína e 21 quilogramas de drogas sintéticas.
No seu discurso, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, disse que recebeu com agrado o compromisso da direção nacional da PJ em relação às novas instalações, recursos humanos e tecnológicos.
Sobre desafios e oportunidades que se colocam à PJ, Bolieiro apontou que nos Açores se encontra, porventura, a fronteira “mais complexa e maior da União Europeia”, pelo que, na sua opinião, “não se pode ser negligente […] no reforço de meios e capacidades”.
“A minha esperança é que, para além das instalações novas, mais dignas […], [a PJ] possa também ter a verdadeira e boa extensão do laboratório de polícia científica a vigorar”, disse.
Desejou que em 2027 se possa “consagrar uma nova sede, uma extensão do laboratório de polícia científica nos Açores, um reforço de meios nas capacidades da PJ e uma melhor compreensão nacional e europeia da fronteira Ocidental que os Açores representam, para o reconhecimento das oportunidades, mas também dos riscos e dos perigos que se apresentam com tão grandiosa dimensão e mobilidade internacional”.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, referiu que os resultados alcançados pela PJ ao longo dos seus 50 anos de existência, “demonstram a qualidade do trabalho desenvolvido pela PJ dos Açores” e “confirmam a eficácia da ação policial e a capacidade de adaptação da instituição [face] aos novos desafios”.
Quanto às novas instalações, o autarca considerou que constituem um “investimento estratégico para reforçar a autonomia técnica na região, acelerar a resposta da investigação criminal e fortalecer a capacidade operacional da PJ”.
Os primórdios da PJ em Ponta Delgada remontam a 1976, quando foi criada a então Inspeção de Ponta Delgada, sendo que a 01 de junho “foram inauguradas as instalações no Campo de São Francisco”, segundo informação disponibilizada na sua página da Internet.
“Precisamente um ano depois, a PJ viria a ocupar novas instalações, na Rua Manuel da Ponte, antes de se fixar, em 1992, na Praça de Gonçalo Velho, onde se mantém até à atualidade”, lê-se.




