Há muitas razões para a Greve Geral de 3 de junho. Há as razões que são de todos: derrotar o pacote laboral, defender os direitos de quem trabalha e exigir um outro rumo para os Açores e para o país, um outro caminho que inverta o retrocesso civilizacional em que temos vivido.
E há as razões específicas de cada profissão e empresa: porque os salários encolhem com o custo de vida, ao mesmo tempo que os lucros batem recordes; porque o ritmo de trabalho aumenta até à exaustão; porque os horários consomem o tempo que deveria ser para brincar com os filhos; porque as profissões e as carreiras são desvalorizadas a cada ano que passa.
Se olharmos para lá da propaganda, é possível concluir que este pacote laboral é do governo, mas também dos patrões. Mas não é de quaisquer patrões – seria injusto tratar por igual o que é diferente. Este pacote laboral é dos patrões que acham que bom mesmo seria a escravatura, que recusam o aumento de salários e que o trabalho devia ser de sol a sol.
Mentem-nos. Mentem quando dizem que a legislação laboral é a causa da baixa produtividade, que é antiquada e que maior flexibilidade trará maiores salários. É precisamente o contrário: os trabalhadores com contratos precários recebem menos 30% do que quem tem vínculos efetivos.
O banco de horas individual é um autêntico roubo do tempo de cada um. Serão 10h de trabalho semanal, 150h de trabalho por ano, de graça. Se fossem pagas como trabalho extraordinário, corresponderia a mais um salário ao fim do ano. O despedimento sem justa causa é a porta aberta ao medo e ao abuso. A permanente instabilidade no emprego é viver na incerteza até à reforma.
As razões não se esgotam aqui. Será por mim, por nós e pelos nossos. Pelos filhos e netos de hoje, que amanhã precisam de encontrar uma sociedade que não os veja como descartáveis. Há alturas em que é preciso dar espaço à revolta e um murro na mesa.
Há momentos que exigem luta, para mostrar que é preciso virar o jogo a favor da parte mais fraca, aquela que perde sempre. 3 de junho será um desses dias. É por tudo isto e muito mais que eu vou fazer a Greve Geral!




