O Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores reagiu hoje à morte do fotógrafo Jorge Barros, lembrando a sua obra “singular, marcada pela atenção à paisagem, às gentes, aos gestos, aos rituais e à memória cultural do país”.
Jorge Barros, que testemunhou Portugal ao longo de mais de quatro décadas, morreu na terça-feira, em Lisboa.
Hoje, o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores lembrou “o fotógrafo de grande sensibilidade, amigo próximo e colaborador de longa data”.
“Jorge Barros foi mais do que um fotógrafo. Foi um amigo, um cúmplice do olhar, um colaborador atento à vida científica, humana e institucional do Departamento. As suas imagens ajudaram a fixar rostos, campanhas, paisagens, encontros e momentos que pertencem hoje à memória afetiva e histórica da nossa comunidade”.
“A ligação de Jorge Barros aos Açores atravessa uma parte decisiva da sua obra fotográfica e editorial”, sublinha o DOP da Universidade dos Açores, recordando títulos do fotógrafo, como “Corvo: a Ilha da Sabedoria”, “Escrito no Mar / Written on the Sea: Livro dos Açores”, com poemas de Manuel Alegre, “As Ilhas Desconhecidas”, para o livro de Raúl Brandão, “São Miguel: Ilha de Alquimias” e o seu último livro publicado, “Romeiros da Fraternidade”.
Desde 1980, escreve o departamento da Universidade dos Açores, Jorge Barros publicou e colaborou em mais de trinta obras, “muitas delas em diálogo com escritores e poetas de referência”, como João de Melo, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, Lídia Jorge, Mário Cláudio, Fernando Pessoa, Miguel Torga e Orlando Ribeiro, com quem fez “Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico”.
A sua ligação ao arquipélago passou também por exposições como “Solenidades dos Açores”, “Aproximações”, “Baleeiro”, “Um Rochedo do Mar” e, mais recentemente, pelo trabalho sobre os “Romeiros de São Miguel”, na base do seu último livro, projeto “desenvolvido ao longo de décadas de dedicação à documentação dos ranchos de romeiros” daquela ilha, como escreve o DOP da Universidade dos Açores, que recorda ainda a colaboração do fotógrafo no diaporama do Pavilhão dos Açores na Expo 98, “momento em que o seu olhar ajudou a projetar a imagem do arquipélago num dos mais importantes palcos públicos do país”.
Jorge Barros “viajou connosco no Águas-Vivas num périplo fotográfico”, contribuindo para “memórias inesquecíveis”, numa colaboração que se “inscreve numa trajetória mais ampla de participação em iniciativas culturais e audiovisuais de grande visibilidade”, além da Expo 98, acrescenta.
“A sua presença discreta, generosa e profissional deixa uma marca profunda em todos quantos com ele trabalharam e privaram”, conclui o DOP da Universidade dos Açores, garantindo que o legado de Jorge Barros “permanece nas fotografias, nos livros, nas exposições e, sobretudo, na memória de uma relação prolongada” com o arquipélago, “feita de respeito, ternura e fidelidade ao lugar”.
Jorge Barros, nascido em Alcobaça, em outubro de 1944, trabalhou com companhias de teatro como a Comuna, A Barraca e O Bando, foi assessor técnico da XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura, trabalhou em cinema e televisão, com realizadores como Rui Simões, Luís Galvão Teles e Fernando Lopes, e na imprensa para publicações como Atlantis, Egoísta e Jornal de Letras, Artes e Ideias.
Foi formador em fotojornalismo no Cenjor e pertenceu à direção da Sociedade Portuguesa de Autores, entre 2003 e 2006.
Entre os seus livros constam “Um Olhar Português”, “Mineiros”, “Festas e Tradições” e “Sob a Terra”, aguardando-se a publicação da sua derradeira obra, “Espantalhos e Campos”.
Em entrevista ao JL, em 2024, disse que, na fotografia, procurou sempre “o encanto que é o milagre da vida, nos gestos, rostos e olhares das pessoas”. Na introdução ao livro “Ilhas Desconhecidas”, escreveu: “O amor para com os outros é o melhor de nós”.




