Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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Há uma certa elegância retórica em alinhar dramas públicos, como se fossem angústia coletiva. Fica bem num texto, causa impacto e dispensa o detalhe incómodo do contexto. Afinal, nada dá mais emoção ao argumento do que um problema antigo apresentado como se tivesse nascido ontem.

Comecemos pela saúde, esse eterno paciente crónico do debate político. Diz-se que “continua pressionada”. E continua. Mas a pergunta que raramente se faz é: quando deixou de estar? Sabemos que agora há mais diagnósticos, mais exames e mais indicação cirúrgica, o que, ironicamente, aumenta as listas de espera, embora traduzindo melhor acesso ao sistema. Quando funciona melhor, parece pior nos números mais superficiais.

Outro clássico é a pobreza. “Persiste”, diz o diagnóstico. Certo, pois não desaparece por decreto nem por indignação retórica. Mas os Açores já não são a região mais pobre do país. É pouca consolação? Talvez. Mas é uma evolução que outros não foram capazes de fazer.

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Aliás, a trajetória dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção confirma isso mesmo, hoje são menos de um terço do que eram em 2020. O problema não foi eliminado, mas desmente a falácia da estagnação.

Quanto aos jovens que saem, convém um pouco de honestidade histórica. A emigração jovem não foi inventada neste ciclo político. Exportamos talento há décadas, por razões estruturais que vão da escala económica à geografia. A diferença hoje não está tanto no fenómeno, mas nas condições que o moldam – maior qualificação, mobilidade voluntária, redes globais. Mas isso já não cabe no slogan.

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