Natália Correia é um dos vultos literários do Festival Utopia Açores, integrado na Ponta Delgada (PDL) 2026, que decorre de 04 a 07 de junho, visando promover a memória da literatura da região e fazer emergir uma nova geração.
Nuno Costa Santos, escritor e responsável pela programação do Utopia Açores, diz à Lusa tratar-se de um “momento importante para celebrar a literatura nos e dos Açores, no sentido histórico do termo, com uma tradição de grandes autores açorianos” como Antero de Quental, Vitorino Nemésio e Natália Correia, entre outros, mas “também cruzando-o com autores contemporâneos, que igualmente caracterizam e recriam os Açores à sua maneira”.
O escritor fez questão de envolver no projeto, apesar de a PDL26 – Capital Portuguesa da Cultura se passar em Ponta Delgada, vultos literários de todas as ilhas dos Açores, por forma a “convocar todos”, a par de autores continentais, italianos e cabo-verdianos com a sua visão sobre o universo literário insular.
Um passeio literário pela cidade de Ponta Delgada, com a autora Madalena San-Bento, e uma conversa sobre a relação entre Antonio Tabucchi e os lugares açorianos, constituem alguns dos elementos da programação do Utopia Açores.
Há ainda espaço para a apresentação de livros, como o “Ensaio e Literatura: Escritores Açorianos”, de Rosa Maria Goulart, e “Greta”, de Maria Brandão, e jantares literários, com espaço para “um diálogo ainda mais descontraído sobre o imaginário de cada convidado”.
O escritor refere que estes “dias de festa e partilha” pretendem contribuir para “posicionar Ponta Delgada e o arquipélago no plano literário nacional e internacional, inseridos na PDL26 – Capital Portuguesa da Cultura”.
O evento cultural prevê ainda a exibição do ficcionado sobre Natália Correia com o título “A Mulher que morreu de pé”, um ‘casting’ poético “com atores que deambulam entre um filme e uma peça de teatro”.
“Passa-se em lugares habitados antes por Natália e, agora, por estes atores, que nos ajudam a escavar os mitos, os fantasmas e as dores nascidas na vida e na obra de Natália, uma das figuras mais importantes da cultura, da literatura e da política portuguesa, antes e depois do 25 de Abril”, segundo a organização.
A realização e argumento é de Rosa Coutinho Cabral, sendo o elenco composto por Alexandra Sargento, Carolina Bettencourt, Hugo Mestre Amaro, João Araújo, João Cabral, Joana Seixas, Leonor Cabral, Leonor Coutinho Cabral, Lídia Franco, Maria Galhardo, Mariana Pacheco de Medeiros, Milagres Paz, Paula Guedes, Soraia Chaves, Ângela de Almeida, Fernando Dacosta, Carlos Melo Bento, Victor Meireles, Sérgia Farrajota e Luís Alves de Sousa.
Depois de Aveiro, em 2024, e Braga, em 2025, Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é a Capital Portuguesa da Cultura, um ano antes de Évora ser Capital Europeia da Cultura.
A organização está a trabalhar com um orçamento de 4,3 milhões de euros, proveniente do município (três milhões) e do Governo da República (1,3 milhões), estando a aguardar um milhão de euros do Governo Regional com origem em fundos comunitários.
A criação da figura da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciada pelo ex-ministro da Cultura Pedro Adão e Silva, em Lisboa, em dezembro de 2022, onde deu a conhecer a cidade vencedora da candidatura a Capital Europeia da Cultura.




