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Por estes dias, recebemos a notícia de que os combustíveis da aerogare das Lajes estavam contaminados. Os motivos que levaram à contaminação de um tanque da tutela da grande petrolífera GALP ficaram por explicar, tendo já sido questionado pelo Governo Regional. Certamente, as e os trabalhadores saberão, mas a grande maioria terá medo de represálias, e há quem aguarde pelo bónus de natal que recebem todos os anos, para continuar a dar para o peditório dos combustíveis fósseis.

Felizmente, na prática, as autoridades afirmaram que não passou de um susto, e que tudo continuaria a funcionar de forma normal. Dentro da anormalidade das Lajes, claro está.

Dei por mim a pensar neste caso, e na forma como trabalhadores dessa e de muitas outras empresas, tantas vezes protegem o patronato, por oposição ao seu próprio bem-estar. Há um nível de relacionamento tóxico entre trabalhador/a e patrão, que cresce de ano para ano, com o enfraquecimento do mercado, o fortalecimento das regalias dos mais ricos, e o envelhecimento dos pilares da democracia. Paralelamente, aumentam as ansiedades, o stress, os antidepressivos e as substâncias psicotrópicas para esconder a realidade.

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De forma mais, ou menos consciente, a nossa sociedade de consumo, capital e exploração laboral promove uma cultura de abuso da saúde mental, deixando incapacitados os poucos que se revoltam contra essa realidade, e promovendo o chibo, o explorador e o regime abusador, mesmo que em incumprimento direto com a realidade da nossa legislação, onde permanece protegido o dever de as entidades empregadoras garantirem condições de salvaguarda de quem lhes abre e encerra as portas, todos os dias.

Com o aproximar do grande terramoto que será o pacote laboral da Spinumviva, e com o maremoto que se seguirá por via da revisão constitucional pela qual os salazaristas salivam, a saúde mental será uma das principais e primordiais vítimas.

A defesa do bem-estar emocional é tão imperativa quanto a do físico. Uma doença prolongada do foro mental pode ser letal, não nos esqueçamos. Uma pressão constante para calar, consentir ou até para cometer pequenas ilegalidades que escapam à justiça é um acréscimo.

Uma lei laboral que virá para destruir alguns dos direitos que nos restam é um rastilho para

depressões e outros tumores de natureza semelhante.

Quanto mais alimentamos a força de partidos como o dos salazaristas ou da Spinumviva, mais alimentamos quem nos quer enfardar com comprimidos, álcool e drogas, e mandar de volta para o campo de batalha do mercado de trabalho.

Trabalha, ou há mais não sei quantos à espera para te substituir. É isso que muitas entidades empregadoras já dizem. Algumas de forma dissimulada, outras de forma clara. É isso que, no futuro, o próprio Estado dirá a todas as portuguesas e portugueses.

Não sei o que se passou com o combustível das Lajes. Sei que, quando algo está contaminado, é preciso tratar. E o nosso sistema está ferido com contaminações, de onde destaco a ignorância perante as questões de saúde mental. Apelo, portanto, a que quem luta na rua não se esqueça de pedir mais. Mais medidas concretas para nos proteger. Mais fiscalização em relação aos patrões, e não apenas a quem trabalha. Mais cuidado na forma como lidamos com estigmas e estereótipos. E mais profissionais de psicologia, em todas as valências do nosso quotidiano, e, desde logo, nas equipas de Segurança e Saúde no Trabalho. Há muito para fazer. Descontaminar é urgente.

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