A CGTP-IN/Açores repudiou hoje as declarações do deputado regional e líder do Chega açoriano, José Pacheco, por ter criticado as centrais sindicais e comparado os sindicatos a “cartéis criminosos”.
“Para além de não ter apresentado quaisquer provas – nem isso seria possível, por se tratar de afirmações completamente falsas -, estas declarações revelam aquilo que o Chega tanto se esforça por esconder: que é a voz política e partidária dos grandes interesses, e não dos trabalhadores e do povo”, afirmou hoje, em comunicado, a coordenação regional dos Açores da CGTP/IN.
A postura da estrutura sindical surgiu após o líder do Chega/Açores, José Pacheco, ter criticado, na quinta-feira, as centrais sindicais por estarem a deixar o país “refém” dos seus interesses, a propósito das alterações à lei laboral, e ter comparado os sindicatos a “cartéis criminosos”.
“Como é que é possível termos um país refém dos sindicatos quando precisamos de fazer uma alteração à lei laboral”, questionou o também líder da bancada do Chega no parlamento dos Açores, considerando que os portugueses estão “reféns de cartéis criminosos” que pretendem “destruir” Portugal.
José Pacheco, que falava durante uma interpelação ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre emprego e qualificação, apresentada pela bancada social-democrata na Assembleia Legislativa dos Açores, na Horta, na ilha do Faial, defendeu ainda ser “preciso “acabar com o comunismo em Portugal, a começar pelos Açores”.
“O Chega, que age para subverter os valores e conquistas da Revolução de Abril, a democracia, a liberdade e a Constituição, não perdoa à CGTP-IN e [a]os seus sindicatos defenderem-nas, todos os dias, tanto no plano da sua ação reivindicativa, como no plano institucional, e sempre no respeito pela normalidade democrática”, referiu hoje a estrutura sindical no comunicado.
Acrescentou que o partido também não perdoa “terem dado voz ao povo e aos trabalhadores, demonstrando a recusa generalizada sobre o conteúdo profundamente negativo do Pacote Laboral do Governo da República”.
“O que estas declarações demonstram é que o Chega convive mal com a liberdade, com a diferença de opiniões e com o direito à livre expressão. Demonstram que o Chega não é mais do que a voz das associações patronais que representam, apenas, o grande capital”, referiu.
No parlamento açoriano, as declarações de José Pacheco foram contestadas pelo deputado do BE, António Lima, que considerou não ser admissível que o parlamento se refira aos sindicatos com termos insultuosos.
“Os sindicatos são constituídos por pessoas de bem e são parte integrante e indispensável do funcionamento da democracia e não é admissível que neste parlamento haja deputados que os insultem desta forma, chamando-os de organizações criminosas”, criticou.
O presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, o social-democrata Luís Garcia, aproveitou a ocasião para advertir o deputado do Chega, considerando “exagerada” a linguagem utilizada por aquele partido.
“Discordar dos sindicatos ou de outras estruturas é democrático, chamar as pessoas de criminosos acho que é um exagero absoluto, que não é tolerável”, salientou.




