Há qualquer coisa profundamente reconfortante nas crises energéticas. Não é a gasolina mais barata (infelizmente), mas a criatividade ilimitada das propostas para a tornar barata. Com o estreito de Ormuz a funcionar como torneira semifechada do petróleo mundial, a Oposição dos Açores – um laboratório fértil de ideias improváveis – responde como sabe, com soluções tão abundantes quanto imaginativas.
De repente, todos têm um plano. Há quem proponha tabelar preços “por decreto regionalista”, como se os mercados internacionais fossem especialmente sensíveis ao Jornal Oficial. E, claro, entre a abundância imaginativa não poderia faltar a clássica redução temporária de impostos, mesmo por aqueles que recentemente, como o PS, esconjuraram o abaixamento do IRS, IRC e IVA.
É impossível não recordar a célebre comédia televisiva com Raúl Solnado, onde a promessa de riqueza fácil transforma um bairro lisboeta num palco de euforia e delírio coletivo. A diferença é que, hoje, já nem precisamos de fingir que encontrámos petróleo no Beato. Basta à Oposição anunciar uma medida milagrosa e esperar que a crença faça o resto.
Quer-se combustíveis baratos, impostos petrolíferos baixos, contas públicas equilibradas e, se possível, uma transição energética exemplar, tudo ao mesmo tempo – uma espécie de milagre financeiro, digno de estudo: como baixar preços sem pagar a conta.
Um plano simples que resolve tudo é a versão moderna do “há petróleo no Beato”, não sabemos bem onde está, mas temos a certeza de que existe e de que nos vai salvar.




