O eurodeputado do PSD Paulo do Nascimento Cabral defendeu hoje, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que o ordenamento do espaço marítimo europeu deve assegurar um equilíbrio entre objetivos ambientais, económicos e sociais, salvaguardando as comunidades costeiras e os profissionais ligados ao mar.
Na intervenção realizada durante o debate sobre o ordenamento do espaço marítimo, assinalando o Dia Europeu do Mar, o parlamentar social-democrata alertou para a necessidade de integrar no desenho das políticas marítimas os setores mais vulneráveis, nomeadamente pescadores e populações costeiras.
Citando o estratega naval Alfred Mahan, Paulo do Nascimento Cabral afirmou que “quem domina os mares domina o mundo”, sublinhando, contudo, que o poder marítimo depende também das comunidades que vivem e trabalham no mar ao longo de gerações.
O eurodeputado açoriano considerou que as políticas europeias ligadas ao mar não podem avançar “à custa de quem já é penalizado”, defendendo processos com maior participação dos setores envolvidos e mecanismos de compensação adequados.
Na sua intervenção, destacou ainda o papel estratégico da economia azul para a União Europeia, apontando áreas como a energia, os transportes marítimos, os cabos submarinos, a conectividade digital, a segurança europeia e a proteção da biodiversidade.
Paulo do Nascimento Cabral alertou, no entanto, para a necessidade de garantir um lugar “justo” às pescas e à aquicultura na utilização do espaço marítimo europeu, recordando que a União Europeia mantém uma dependência externa superior a 70% neste setor.
O eurodeputado defendeu igualmente um reforço do investimento científico ligado ao oceano, considerando urgente aumentar a recolha de dados e a investigação marinha para apoiar decisões políticas sustentadas.
Nesse contexto, saudou a criação do projeto OceanEye e reiterou a importância de desenvolver um observatório europeu do mar profundo no Atlântico, defendendo que estas estruturas necessitam de maior capacidade financeira.
O parlamentar social-democrata voltou também a defender uma abordagem diferenciada entre as várias bacias marítimas europeias, salientando que o Atlântico apresenta características distintas do Báltico ou do Mediterrâneo, devendo igualmente ser consideradas as especificidades das regiões ultraperiféricas, como os Açores e a Madeira.
Assinalando o Dia Europeu do Mar, Paulo do Nascimento Cabral deixou ainda um apelo a uma nova estratégia europeia para o Atlântico, defendendo que Portugal e as regiões autónomas devem recuperar centralidade no projeto europeu face ao atual contexto geopolítico.




