Autor: PM | Foto: DR
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O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) acusou hoje a direção do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, nos Açores, de “brincar à segurança”, após uma nova fuga de um recluso.

“É lamentável estarmos a brincar à segurança e não percebermos nada de segurança prisional”, disse Frederico Morais à agência Lusa.

Um recluso, de 34 anos, evadiu-se durante a manhã de hoje do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, tendo sido “imediatamente capturado”.

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O homem, que está em prisão preventiva pelo crime de roubo, fugiu “no mesmo sítio” onde ocorreu a fuga da semana passada, segundo o dirigente sindical.

No dia 09 de maio, três reclusos aproveitaram a hora de pátio para fugir, sendo que apenas um conseguiu chegar à rua, tendo um outro ficado ferido e o restante abortado a fuga após disparos de um guarda.

Apenas o recluso que já se encontrava em cima do muro conseguiu fugir, tendo sido capturado pela guarda prisional cerca de 40 minutos depois, numa casa degradada próxima do estabelecimento prisional, revelou, na ocasião, o presidente do SNCGP.

Hoje em declarações à Lusa, Frederico Morais criticou a direção e a chefia do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, alertando para falhas de segurança na cadeia.

“A direção da cadeia e a chefia têm muita culpa, porque a nível de segurança a chefia tinha de se impor e não havia pátio enquanto não houvesse rede”, apontou.

O presidente do SNCGP considerou “lamentável” a situação, sustentando que “a incompetência é geral neste momento tanto da chefia como da própria direção” do estabelecimento prisional.

Segundo Frederico Morais, durante a situação ocorrida hoje, o recluso “foi permanentemente seguido pelos guardas prisionais” durante a fuga, acabando por se “atirar ao mar”.

“É lamentável estarmos a brincar à segurança e não percebermos nada de segurança prisional”, disse, acrescentando que a atual situação “está a pôr em causa a população, a segurança dos guardas prisionais e tudo o resto”.

Frederico Morais defendeu ainda que “é o momento de alguém agir”.

“Se fossem os guardas prisionais os culpados, seriam, garantidamente, condenados disciplinarmente. Assim, como é a direção e a chefia, não acontece nada. Vai ser mais uma que vai passar ao lado de tudo e vamos daqui a uns dias estar outra vez a falar, se calhar, de uma fuga”, sustentou.

Frederico Morais criticou ainda a aposta em atividades como “ballet, ioga e reiki”, que, segundo disse, “não têm qualquer efeito nem produção útil para a população reclusa”.

Num comunicado enviado à Lusa, a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) informou que a fuga de hoje ocorreu cerca das 08:55, quando o recluso “subiu pela rede do pátio, tendo alcançado o exterior do estabelecimento prisional”.

“A situação foi sempre acompanhada, ao momento, pelos elementos do corpo da guarda prisional que efetuaram disparos de dissuasão para o ar e recapturaram o recluso a, aproximadamente, 500 metros do estabelecimento”, explicou.

O recluso “foi colocado em medida cautelar de confinamento enquanto decorre o processo disciplinar e a sua afetação a regime de segurança”, acrescentou.

A DGRSP adiantou, entretanto, que a empresa a quem foram adjudicadas “as obras de reforço da segurança dos muros exteriores do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada aguarda a chegada dos materiais, do continente, para executar a obra”.

Tendo em conta que o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada “só tem um pátio para recreio a céu aberto foi determinada, durante os períodos de recreio a que legalmente os reclusos têm direito, a presença de elementos do corpo da guarda prisional” junto aos locais “com maior fragilidade de segurança”, acrescentou.

A Lusa tentou obter uma reação junto da direção da cadeia de Ponta Delgada, mas não foi possível até ao momento.

 

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