Que eu saiba, só no último ano aconteceram vários ataques a inocentes, perpetuados por pessoas com ligações à extrema-direita. Não se trata de uma acusação infundada. A maior parte dos atacantes envergava camisas, ou mesmo tatuagens, que apontavam para a sua filiação em movimentos como o 1143, grupo de grunhos armados para o desenvolvimento da nacional-grunhice.
Exemplo recente, pouco noticiado, aconteceu em Setúbal, quando um indivíduo com assumidas ligações aos salazaristas atacou um grupo de teatro que, na rua, apresentava um ensaio geral de uma peça acerca de fome e das conquistas do nosso povo perante o espezinhar das imateriais ditaduras que nos querem impor. Houve espancamento, e queixa no Ministério Público, que certamente terminará como qualquer outra. Em pouco ou nada. Não nos esqueçamos que, em janeiro deste ano, foram presos 37, com ligações diretas ao 1143.
Entretanto, a terra gira em torno das dezenas de vozes e milhares de linhas escritas por estes dias, contra o fantasma da extrema-esquerda. O primeiro e necessário passo foi o do infame cocktail molotov, ato que até ao momento está comprovado como isolado, e numa provocação clara, por parte de uma pessoa com simpatia pelo PS. Daí até ao discurso “fascizóide” em pleno 25 de abril foi um curto passo, que ganhou força com a provocação feita na casa da democracia aos deputados que ajudaram a construir a nossa Constituição.
Tal como há cem anos, com um parvalhão baixinho, de bigode maltratado, insegurança perpétua e uma conspiração perfeita. Ventura é mais do mesmo. Um agente do caos, que sabe crescer no meio desta narrativa do nós contra eles. Conta com os seus camisas castanhas, aqui chamados de afonsistas e outras tolices que tal. Marcha pelas ruas com algemas para prender os inimigos, enquanto se rodeia de criminosos com provas dadas em tribunal, sem perder votos com essa hipocrisia.
Tudo isto é ato pensado, bem desmascarado pelo Miguel Carvalho na sua dantesca investigação, que de pouco parece ter servido. Será um bom manual para os historiadores contarem como é que nós, coletiva sociedade, assobiarmos para o lado, enquanto nos levavam a dignidade e a democracia.
A extrema-esquerda é uma entidade que não existe, nem nunca existiu verdadeiramente em Portugal, nos mesmos moldes da extrema-direita. É certo que podemos apontar episódios de violência organizada e até alguma alegada repressão social por parte das forças ligadas ao estalinismo no pós-25 de abril. Dando de barato a existência desses casos, a verdade é que o que se procurava era uma melhoria conjunta da comunidade e da sociedade, mesmo que para o efeito se utilizassem meios que não deveriam. Em contrapartida, a extrema-direita é um agente da morte, do ódio e do caos pelo caos, sem objetivo final que não seja dar o poder a muito poucos, e deixar os restantes onde já estão, debaixo da bota do mestre.
Historicamente, Hitler acabou por sanear os seus cães de fila, e o mesmo acontecerá ao 1143. Não o compreendem, porque são limitados na grunhice que os impele para a frente. Mas, chegará o dia deles. A esquerda, como sempre, continuará a lutar por mais direitos, mais liberdades e mais poder coletivo, muito longe da violência terrorista que por aí anda, e de que ninguém quer falar. Quando vierem buscar as e os vossos filhos, vai-vos apetecer abrir a boca, e nesse dia perceberão que venderam a língua ao diabo.




