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É famosa a expressão humorística “Estes são os meus princípios, se não gosta, tenho outros”. Aplica-se muito bem a algumas pessoas com grande promoção mediática. Num sistema em que tudo se compra e vende, este tipo de lógica, apesar de profundamente errada, parece ser normal. Aliás, tal como é normal que quem é o pior exemplar do sistema económico em que vivemos ocupe boa parte do seu tempo a afirmar-se antissistema. Contudo, em política, tudo se pode negociar, menos os princípios.

O CH anunciou que aprovará o pacote laboral, com o qual diz não concordar, se o governo negociar a idade da reforma. Ora, quando se vota a favor de uma proposta de lei, é porque se concorda com ela. Não há cambalhota ou truque de retórica que possa fugir a isto.

Sobre o pacote laboral, a extrema direita já disse tudo e o seu contrário. Até à greve geral, a culpa era dos sindicatos, porque enganavam os trabalhadores. Mostrou assim que os considera pouco inteligentes e facilmente manipuláveis por esse bando de malandros. Afirmou, ainda, que o problema se resolvia em duas horas, se o governo se sentasse à mesa com o CH.

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A partir da greve geral, disse que não podia concordar com o pacote laboral proposto pelo governo, porque era um atentado ao mundo do trabalho. Tal foi a força do protesto que, de repente, um sim passou a ser não. Depois, veio dizer que havia matérias a retirar do pacote laboral, mostrando que ainda estavam disponíveis para o aprovar.

Agora, diz que está disposto a aprovar o pacote laboral, se o governo negociar a idade da reforma. Quem age assim, não pode ser levado a sério, sobretudo quando há meio ano o CH votou contra uma proposta neste mesmo sentido, apresentada pelo PCP.

Não há engano possível: não só a extrema direita concorda com o pacote laboral – não fosse ele feito à medida dos grandes grupos económicos que a apoiam – como procura, mais uma vez, fomentar a divisão social, desta vez entre quem está no início da sua vida profissional e quem está perto da reforma. Quem assim age, não pode ser levado a sério e não tem quaisquer condições para resolver os problemas do país – só os pode agravar.

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