De tempos a tempos, há sempre quem descubra a pólvora política: reduzir deputados. Desta vez, foi um antigo governante e autarca, sob o pretexto nobre de celebrar Abril, a sugerir que o Parlamento Regional ficaria mais leve – e, presume-se, mais virtuoso – com menos cadeiras ocupadas.
A ideia tem o seu encanto aritmético. Menos deputados, menos despesa, mais aplausos fáceis. É o tipo de raciocínio que cabe bem num slogan e ainda melhor num soundbite. Não admira que algumas consciências mais iluminadas tenham acenado com entusiasmo.
O problema é que a realidade, teimosamente, não se deixa simplificar. A Assembleia Legislativa não é, nem de longe, o buraco negro das finanças regionais. Cortar deputados pode dar a ilusão de rigor, mas dificilmente resolve o essencial. É política de régua e esquadro para problemas que exigem bisturi.
E depois há a memória, essa inconveniente. Convém recordar que foi um governo com participação do próprio cavalheiro que propôs acrescentar cinco deputados através de um círculo regional de compensação. Na altura, não houve sobressalto aritmético, houve aplauso.
Talvez o número ideal de deputados varie menos com a necessidade do sistema e mais com a conveniência do momento. O que, convenhamos, também é uma forma muito criativa de fazer contas públicas.
PS: Declaro, por transparência, o meu interesse na matéria: sou deputado. Ainda assim, descanso o leitor – se há coisa que esta discussão não altera é a dimensão real dos problemas que temos para resolver. E esses, infelizmente, não cabem numa simples subtração.




