Conta-se por aí, que nos corredores do Palácio dos Capitães-Generais, anda desgaste nestas últimas semanas.
Não tenho por hábito alimentar o bairrismo. São banalidades que servem para dividir e reconquistar. Infeliz e lamentavelmente, são estratégias que funcionam, e reforçam os poderes vigentes dos senhores do Salazar, cada vez mais próximos de tomar de assalto a vice-presidência.
Tudo isto, para vos resumir o que se passou nos Açores, por estes dias. Depois de públicas e privadas trocas de insígnias entre o dr. Artur Lima, membro do Governo Oficial, e o presidente sombra do governo oficioso, Jorge Rita, o arquipélago deu mais uns passos no sentido do não retorno.
O vice-presidente, ainda em funções, afirmou ser o garante da estabilidade de Bolieiro, bem como o pilar do conquistado. O que ficou por conquistar, não se menciona. Falou onde não devia sobre votos para o CDS. E deixou as mensagens precisas junto dos media, acerca do bairrismo subjacente à hipotética ideia de um hospital central.
Não se preocupam os paladinos do combate ao centralismo com o porto das Flores… mas, isso seria história para outro dia.
Em resposta aos desaforos para com São Miguel, Jorge Rita deixou uma mensagem clara: se é para falar mal de centralismos, é para falar mal é de Lisboa! Para isso, tudo bem. Agora, não nos venham explicar centralismos micaelenses, que isso não vale. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é aquilo que Jorge Rita quer que seja.
Perante esse cenário digno do próximo espetáculo dos Fala Quem Sabe, José Manuel Bolieiro decidiu anunciar o que já se sabia. A coligação é uma fachada decadente, sem solução possível. O presidente de um Governo em funções, baseado num acordo de governação, retirou a confiança política aos seus parceiros. Uma espécie de “irrevogável” ao contrário. Transformismo, no seu melhor, dirá o líder da bancada do PSD quando lhe derem a palavra, certamente.
Assim, a análise possível já foi feita por todas e todos os comentadores e mais alguns. E esta não é uma adenda. É apenas uma triste constatação. A incapacidade de ultrapassar o bairrismo incutido, essencialmente em período pré-eleitoral, nas veias de muitas e muitos açorianos, tem impedido a região de construir uma solução verdadeira, para o nosso futuro. A falta de visão, e a forma bastante carregada com que algumas vozes se inflamam é teatro de variedades. Temo que o resultado possa ser o esperado. O próximo visconde será micaelense. O centralismo será (ainda mais) regra. E o povo irá dar o poder a quem pretende esmagar o que falta.
Tudo por causa de duas ou três pessoas. Triste destino o destas brumas atlânticas.




