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O Correio dos Açores completa, neste 1.º de maio, 106 anos de vida, num ano muito especial para a Região Autónoma dos Açores, já que está marcado por várias e significativas efemérides que permitiram profundas transformações políticas, educacionais e económicas no nosso ecossistema.

No passado dia 9 de janeiro de 2026, a Universidade dos Açores celebrou o 50.º aniversário da sua existência, enquanto instituição que constituiu o maior elevador social na Região Autónoma dos Açores, e que só foi possível com o 25 de Abril de 1974, com a luta do povo açoriano e com a Autonomia Democrática.

Ainda este ano, precisamente no dia 2 de abril de 2026, assinalaram-se os 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa, que incluiu os artigos 225.º a 234.º, dedicados às Regiões Autónomas, e que possibilitaram a criação e o desenvolvimento das Autonomias dos Açores e da Madeira. Muito se deve, nesta mudança histórica, aos então deputados constituintes dos Açores e da Madeira, que abriram caminho para que, pela primeira vez na história destes arquipélagos, estes passassem a dispor de autonomias políticas e administrativas, com órgãos de governo próprio e capacidade de iniciativa legislativa e executiva.

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Nos Açores, e felizmente, continuam entre nós três desses deputados constituintes, que faço questão de referir: Américo Natalino Viveiros, Jaime Gama e João Bosco Mota Amaral.

Com este indispensável instrumento que foi a Constituição da República Portuguesa, foi possível, em 4 de setembro de 1976, a instalação, na Horta, da primeira Assembleia Regional dos Açores, à qual se seguiu, em 8 de setembro de 1976, a tomada de posse do primeiro Governo Regional dos Açores, sendo, por isso, o ano de 2026 uma data redonda de aniversário destes dois órgãos de governo próprio dos Açores.

Também 2026 é (ou deveria ser) um ano muito importante na preparação das comemorações dos 600 anos do povoamento dos Açores.

Todos estes acontecimentos, que fazem parte da história dos Açores, tiveram e têm uma presença ativa nas páginas do Correio dos Açores, um jornal de causas, pluralista, formativo e informativo, lido nas nove ilhas dos Açores, em todo o território nacional e na nossa diáspora espalhada pelo mundo, mas principalmente junto dos nossos emigrantes nos Estados Unidos da América, no Canadá e nas Bermudas.

Numa época marcada pela incerteza, por crises, por guerras, por injustiças, pela lei do mais forte, pelas fake news e pelas redes sociais, incluindo alguns blogues que fomentam a intriga e difundem a inverdade histórica , o jornalismo praticado por órgãos como o Correio dos Açores constitui um importante contributo para a consolidação da democracia e da autonomia democrática.

A concorrência, muitas vezes desleal, de outras plataformas de comunicação, o funcionamento do mercado, os crescentes custos de produção e distribuição dos jornais, a falta de literacia e as dificuldades económicas e financeiras por que passam muitos públicos potencialmente leitores colocam hoje desafios muito exigentes à imprensa. A continuação de um jornal é uma luta contínua, permanentemente em equação, razão pela qual compete às sociedades democráticas e, em especial, aos seus legítimos representantes, avaliar de forma contínua os custos e benefícios decorrentes do eventual desaparecimento de um jornal de qualidade, pluralista, formativo e informativo. Trata-se de uma questão importante que nos deve preocupar e mobilizar.

Resta-me dar os parabéns ao Correio dos Açores, ao seu Diretor, o constituinte Américo Natalino Viveiros, aos trabalhadores do Correio dos Açores, que, por feliz coincidência, têm no 1.º de Maio uma referência comum, e ainda aos seus colaboradores, desejando que continuem a divulgar notícias e a formar opinião através do Correio dos Açores.

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