O líder do PS/Açores considera que a autonomia deve ser usada com “visão” para construir o futuro e celebrar Abril não pode ser apenas recordar o passado, mas a responsabilidade de fazer “melhores escolhas” para a região.
“A autonomia dá-nos instrumentos, dá-nos capacidade de decidir prioridades e de responder à nossa realidade”, afirmou Francisco César citado hoje numa nota de imprensa do partido, acrescentando, no entanto, que essa capacidade “só tem valor quando é usada com visão”.
Segundo a nota, o líder socialista açoriano falava na sexta-feira à noite na iniciativa “Café Europa”, subordinada ao tema “Liberdade, Autonomia e Europa: 50 anos de Liberdade, Democracia e 40 anos de integração europeia”, que foi promovida pelo eurodeputado André Franqueira Rodrigues no Convento de Santo António, na Lagoa, na ilha de São Miguel.
Na opinião do líder socialista, os Açores “devem usar a liberdade e a autonomia para construir uma região mais justa, mais coesa e mais ambiciosa”.
“Celebrar Abril não é apenas recordar o passado. É decidir o futuro, é usar a liberdade que conquistámos para fazer melhores escolhas, para exigir mais e para não aceitar como inevitável aquilo que pode ser mudado”, disse.
Francisco César afirmou que a autonomia “não é um ponto de chegada, mas um processo construído ao longo do tempo, com a participação, a afirmação e a vontade dos açorianos”.
Lembrou que instituições como a Assembleia Legislativa e o Governo Regional são hoje parte natural da vida democrática açoriana, mas resultam de “um percurso feito de escolhas” e da capacidade dos açorianos decidirem por si.
O líder do PS/Açores recordou que o percurso da região desde o 25 de Abril foi feito a partir de uma realidade marcada por profundas fragilidades, nomeadamente a pobreza, os baixos níveis de qualificação, o isolamento entre ilhas, a falta de infraestruturas, as dificuldades de mobilidade e as carências habitacionais.
Na intervenção, após reconhecer os avanços alcançados ao longo das primeiras décadas de autonomia, destacou a importância de uma visão estratégica centrada nas pessoas, defendendo que o desenvolvimento dos Açores passa, antes de mais, pela educação, pela qualificação, pelo conhecimento e pela coesão social.
“Investir nas pessoas não é uma opção. É a única forma de garantir futuro”, afirmou, considerando que a região precisa de “recuperar ambição e esperança”, apontando como prioridades a educação, a habitação, os transportes públicos, os serviços públicos e a criação de oportunidades para os jovens.
A educação deve ser assumida como um Projeto de Interesse Comum, envolvendo a República, o Governo Regional, as autarquias, as instituições e a sociedade, com o objetivo de garantir que “nenhuma criança ou jovem fica para trás e que ninguém abandona a escola por razões sociais”, defendeu.
Na habitação, apontou mais respostas para os jovens que querem iniciar a sua vida e para as famílias da classe média que continuam sem conseguir encontrar uma solução no mercado.
Já no setor dos transportes, apelou à criação de um sistema moderno, regular, eficiente, acessível e “tendencialmente gratuito”, considerando que a mobilidade deve ser encarada como um verdadeiro serviço público ao serviço dos açorianos.
Francisco César também fez críticas à atual governação regional do PSD/CDS-PP/PPM, considerando que “há problemas que não podem ser tratados como normais”, nomeadamente na saúde, nos transportes, na habitação, na educação, no turismo, na economia, na cultura, nos apoios sociais e no combate à pobreza.




