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Hoje é 24 de abril e há 52 anos vivíamos em ditadura. Um conjunto de militares de baixa patente, mas de grande coragem, assumiu, nessa noite, o seu dever histórico.

Há 52 anos, sete grandes grupos económicos, sete famílias, dominavam o país. Eram as verdadeiras donas disto tudo e o poder económico que concentravam e o seu favorecimento obsceno pelo fascismo eram a verdadeira causa dos problemas do país. A repressão e a violência impunham este domínio, contrário ao interesse nacional. A censura mostrava um país que não existia.

A mortalidade infantil era das mais altas da Europa – hoje, é das mais baixas. A maioria dos partos ocorria em casa. A maioria das casas não tinha eletricidade, saneamento básico nem ligação à rede de água. A maioria das habitações não tinha o mínimo de condições.

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O divórcio não era permitido. As professoras e as enfermeiras tinham de pedir autorização ao Estado para se casarem. Viajar, só com a autorização do marido. A violência doméstica era socialmente aceite.

O trabalho infantil era normal – e não me refiro ao ajudar os pais no campo, na loja ou na oficina. Poucos tiveram direito a ser crianças. A maioria viu-se obrigada a trabalhar desde muito cedo, para que a família pudesse sobreviver. Cumpriam tarefas de adulto por salários muito baixos. Poucos tinham direito a estudar para além da 4.ª classe e o analfabetismo era comum. A pobreza era a norma e os graus de instrução mais elevados eram reservados quase exclusivamente aos filhos dos doutores e engenheiros, impondo-se a reprodução social.

Há 52 anos, os Capitães de Abril escolheram agir contra a guerra colonial, a miséria e a opressão. Exigiram Democratizar, Descolonizar, Desenvolver. Arriscaram a prisão e a vida. Consigo, tiveram aqueles que, durante 48 anos, enfrentaram o medo. Muitos destes foram presos, torturados ou assassinados.

Entretanto, muitas das conquistas da Revolução foram revertidas, o que explica bem a evolução – ou a regressão – do país e da Região. Por tudo isto e muito mais, temos o dever de defender e recordar tudo o que, em apenas 24h, passou a ser possível. De recordar que o futuro está nas nossas mãos!

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