O presidente do Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, disse hoje que a região não deve “olhar para o futuro com medo”, mas antes com confiança e sentido estratégico, pois tem “razões para a ambição”.
No ano em que os Açores assinalam 50 anos de autonomia política, José Manuel Bolieiro referiu que, no futuro, “não serão apenas uma região distante e de necessidades”, mas antes “uma região central e de oportunidades”.
“Uma região que conta no país e para o país. Que conta na União Europeia e para a Europa. Que eleva o oceano a ativo estratégico no Atlântico. Que liga três continentes e uma economia global relevante. Precisamos de ter ambição. Esta é a nossa ambição”, afirmou.
O líder do executivo açoriano falava hoje na abertura da conferência “Eco Açores”, promovida pelo jornal ECO, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Na sua intervenção, disse que os Açores “não podem olhar para o futuro com medo, devem olhá-lo com confiança, com sentido estratégico”.
“Na verdade, a nossa história ensinou-nos resiliência. A nossa geografia ensinou-nos abertura cosmopolita. Eu direi que a nossa ambição nos ensinará a conquistar mais ainda”.
E prosseguiu: “A nossa autonomia política tem-nos ensinado a responsabilidade de fazer com ousadia criativa e frutuosa, pedagogia estratégica, para sermos uma oportunidade para nós próprios, para o país e para a União Europeia”.
Segundo Bolieiro, os Açores têm razões para a ambição em inovação institucional, em capital humano qualificado, retendo e atraindo talentos para futuro e na formação de uma consciência coletiva do valor geopolítico, geoeconómico e geoestratégico.
“Se estamos a superar os desafios que foram e são as dificuldades do passado, também podemos superar a capacitação necessária à nossa ambição coletiva de progresso convergente com o país e a União Europeia, no quadro dessas novas economias a que fiz referência”, afirmou.
Na intervenção, também referiu que no tempo atual, marcado por conflitos, instabilidade geopolítica e pressão económica à escala global, os Açores “não estiveram, não estão, nem estarão imunes”.
“Todos sentimos estes impactos. Todos estamos perante esse desafio. Saber responder a esse desafio, com eficácia maior, impõe estabilidade política, estabilidade governativa, consistência na estratégia. E com estes elementos, talvez seja possível superar os desafios com vantagem”, disse.
“Devemos ser resilientes à espuma dos dias, para confiar no que é estruturante”, disse o presidente do Governo Regional, assumindo que os Açores “tinham de mudar e estão a mudar, a mudar de forma estrutural, promovendo transformações estruturais, para acompanhar as transições globais que as economias do futuro vão já expressando” no quotidiano, apontando a transição climática, energética, digital, pela competitividade e crescimento económicos, pela segurança e defesa.
O governante referiu que o posicionamento estratégico no Atlântico assegura centralidade aos Açores e, nesse quadro, com o envolvimento do país, da União Europeia, da NATO e das iniciativas privadas globais, o arquipélago poderá ser uma região de oportunidades no contexto europeu e atlântico.
Salientou que as transformações realizadas pelo seu executivo em vários domínios “têm já alguns resultados”, referindo, como exemplo que, a nível económico, os Açores “cresceram acima da média nacional, mesmo que residualmente ainda, mas com tendência convergente”.
Entre 2019 e 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) “aumentou 1.634 mil milhões de euros, cerca de 36,6%”, apontou, acrescentando: “Temos mais emprego. Mais 12.700 açorianos empregados do que em 2019. Menos desemprego. Menos 2.700 desempregados, com uma taxa inferior à média nacional.”
Entre outras referências, disse que o turismo “afirma-se como um dos motores da economia, mas não será uma monocultura, representando cerca de 17% do PIB regional, 16% do emprego e 20% do Valor Acrescentado Bruto”.




