O CDS-PP, partido que integra a coligação de governo nos Açores, questionou hoje o executivo sobre constrangimentos nas acessibilidades aéreas na ilha de São Jorge, alegando que a oferta continua desajustada à procura.
“Estamos a falar de uma realidade que condiciona diretamente a vida dos jorgenses, seja no acesso à saúde, à educação, à atividade profissional ou mesmo para quem sai em férias. É uma questão de coesão territorial e de respeito pelos açorianos e no caso em particular pelos jorgenses”, afirmou o deputado centrista eleito pelo círculo eleitoral de São Jorge, Luís Silveira, citado em comunicado de imprensa.
Num requerimento entregue na Assembleia Legislativa dos Açores, o grupo parlamentar do CDS-PP questionou o executivo da coligação PSD/CDS-PP/PPM sobre os constrangimentos nas acessibilidades aéreas na ilha de São Jorge e sobre o estado da infraestrutura aeroportuária.
Segundo Luís Silveira, existem “graves falhas” na oferta de ligações aéreas para a ilha de São Jorge, que “continua desajustada” à procura, “prejudicando residentes e visitantes”.
O deputado centrista, que foi presidente do município das Velas, na ilha de São Jorge, durante 12 anos, apontou a insuficiência de lugares, a inexistência de ligações diárias eficazes ao exterior da região e a fraca articulação com voos de ligação ao território continental como “fatores que agravam o isolamento da ilha”.
Luís Silveira deu exemplos concretos que considerou “inadmissíveis”, como a existência de apenas um voo ao domingo ou a impossibilidade de, em determinados dias, sair do arquipélago sem ter de pernoitar noutras ilhas.
Só cinco das nove ilhas dos Açores têm ligações diretas ao exterior do arquipélago, sendo que no caso de São Jorge há apenas voos para outras ilhas.
O centrista alertou para o impacto negativo no setor do turismo, alegando que a falta de previsibilidade na oferta aérea compromete a atratividade do destino e dificulta o planeamento das deslocações.
O Contrato de Concessão dos Serviços de Transporte Aéreo Regular no Interior da Região Autónoma dos Açores, assinado por um período de cinco anos, ao abrigo das Obrigações de Serviço Público (OSP), termina em 2026.
Para Luís Silveira, a definição da oferta aérea no novo contrato deve ter por base a procura real, considerando as taxas efetivas de ocupação registadas no ano de 2025, incluindo os voos extraordinários, para “evitar a perpetuação de um modelo desajustado e penalizador para a ilha de São Jorge”.
Os centristas questionaram ainda o Governo Regional sobre o estado de degradação da infraestrutura aeroportuária de São Jorge, referindo problemas como “infiltrações na gare de passageiros, más condições das instalações sanitárias e insuficiência de estacionamento”.
“É urgente garantir previsibilidade, regularidade e condições dignas numa infraestrutura essencial para São Jorge”, vincou Luís Silveira.




