
Corria o ano de 1976 em Portugal. Viviam-se os primeiros tempos após o 25 de abril e da nova democracia e a ilha de São Miguel celebrava, também, a inauguração do seu mais recente estádio – hoje Estádio de São Miguel.
Um pouco de História
Naquele dia inaugural, e ao folear os jornais Açores, Correio dos Açores e Diário dos Açores, falou-se num Festival Açoriano em que participaram representações dos três ex-distritos, banda militar, representações desportivas, grupos folclóricos com cerca de 300 participantes. Neste dia houve provas de atletismo e um Torneio relâmpago de futebol com a participação dos três ex-distritos, num ambiente de verdadeira festa. Bancadas cheias, entusiasmo nas ruas envolventes e um sentimento coletivo de orgulho marcaram a abertura de uma infraestrutura que prometia elevar o nível do desporto na região, segundo publicações da imprensa micaelense.
Será por demais justo salientar o contributo dos desportistas micaelenses e dos grandes impulsionadores da “Grande Campanha do Desporto Micaelense” em prol do nosso Estádio Distrital. Esta ideia foi lançada no ano de 1971 pela direção da AFPD e era presidente Eduardo Pereira Duarte que teve de imediato o apoio do então Chefe do Distrito Coronel Basílio de Oliveira Seguro e da Câmara Municipal de Ponta Delgada.
E foi a partir de 17 março de 1971 e nas páginas do Jornal Correio dos Açores, começaram a aparecer os primeiros donativos a favor desta campanha que terminou em 28 de julho daquele ano, conseguindo-se a bonita quantia de 600.168$00. Relembro o secretariado de campanha que era composto Rogério de Oliveira, (secretário-geral da campanha), Osvaldo de Alcantara Rodrigues, Manuel Sousa Soares Jr. e José Linhares Carreiro.
A cerimónia contou com a presença de entidades oficiais, Presidente da Junta Geral de Ponta delgada eng.º Medeiros Ferreira, que se encontrava na mesa de honra acompanhado pelo Presidente da Junta Regional, General Altino Magalhães bem como elementos da comissão formada para a inauguração do Estádio Distrital.
Antes da partida dos “Grandes do Futebol Nacional”, Benfica e Sporting, foi organizado um Torneio relâmpago entre as três Associações de Futebol dos Açores (São Miguel, Terceira e Faial), para assinalar a ocasião. Na primeira partida do Torneio entre São Miguel e Faial, venceu o Faial por 1 – 0. Coube a Albertino Lima, capitão dos faialenses, mais conhecido no mundo do futebol por “Tino”, a honra de assinar aquele que seria o 1º golo oficial, resultado com que terminou o jogo no Estádio de São Miguel.
Não posso deixar de referir que foi dada a oportunidade ao Povo destas Ilhas de ver um Benfica – Sporting ao vivo, depois de longos anos de espera, de ansiedade, julgando até muitos que nunca chegaria esta hora de poderem ver este maravilhoso cartaz futebolístico.
Venceu o Sporting 4 – 3 Benfica, já com 3 – 2 ao internado, apoiados por grandiosa assistência, que simbolizou sim o início de uma nova era para o futebol açoriano, trazendo ao arquipélago uma dimensão competitiva até então pouco comum.
Este jogo foi arbitrado pelo António Garrido da Comissão Regional de Leiria, auxiliado por Jaime do Monte e Mário Luís da Comissão Regional de Ponta Delgada.
Recordo assim, com muita saudade a constituição das equipas e marcadores dos golos:
Sporting CP – Damas, Vítor Gomes, Laranjeira (cap.), Amândio, Da Costa, Nelson, Fraguito, Baltasar, Manuel Fernandes, Libânio e Chico, treinador Juca.
SL Benfica – Bento, Malta da Silva, Barros, Messias, Bastos Lopes, Toni (cap.), Vítor Batista, Shéu, Nené, Jordão e Moinhos, treinador Mário Wilson.
Recordando os marcadores: Manuel Fernandes, SCP aos 14” (1-0), de Chico SCP aos 22” (2-0), de Messias SLB aos 24”, (1-2) de Baltazar, SCP aos 30” (3-1), de Nené, SLB aos 38”, (2-3 ) de Da Costa SCP aos 61”, (4-2) e de Jordão, SLB aos 82” (3-4).
Para “lembrar” esta data foi cunhada uma medalha de forma circular e consta: de um lado o desenho do Estádio e em volta as palavras “Inauguração do Estádio Distrital de Ponta Delgada abril 1976” e no outro lado as Portas da Cidade de Ponta Delgada. Medalhas estas que foram distribuídas a todos os atletas, ranchos folclóricos e marionetes e Tibério Ribeiro presidente da Junta de Freguesia da Fajã de Cima distribuiu iguais medalhas comemorativas aos órgãos de informação em serviço que estiveram no retângulo, conforme foi noticiado na altura pelo Jornal Correio dos Açores.
As comemorações
Assim, o agora chamado Estádio de São Miguel, vai assinalar no próximo sábado, meio século de existência, afirmando-se como um dos principais palcos do Desporto Açoriano e um símbolo incontornável da cidade de Ponta Delgada. Inaugurado em 18 de abril de 1976, o recinto continua a ser casa do futebol micaelense e palco de momentos marcantes para várias gerações de adeptos.
Ao longo destes 50 anos, o estádio acompanhou a evolução do desporto em São Miguel, tendo sido alvo de melhorias e adaptações para responder às exigências modernas. Foi ali que se viveram subidas de divisão, jogos memoráveis e momentos de grande emoção, especialmente associados ao percurso do Clube Desportivo Santa Clara, que encontrou neste recinto o seu principal palco competitivo.
Mais do que um espaço desportivo, o Estádio de São Miguel tornou-se um ponto de encontro da comunidade, acolhendo não só jogos de futebol, mas também eventos culturais e iniciativas de relevo regional. A sua história confunde-se com a da própria cidade, sendo testemunha das transformações sociais e desportivas das últimas cinco décadas.
As comemorações dos 50 anos pretendem, assim, não só recordar o passado, mas também projetar o futuro. O programa integra, entre outros momentos, o descerramento de uma placa comemorativa alusiva à efeméride, um jogo comemorativo de antigas glórias – “Memória do Estádio”.
Haverá ainda na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada uma Exposição e Sessão Solene Comemorativa do 50º Aniversário do Estádio de São Miguel, com intervenções institucionais, uma resenha histórica do Estádio de São Miguel e um momento de reconhecimento a personalidades, trabalhadores e entidades que ao longo destes anos que estiveram ligados à construção, manutenção e dinamização desta infraestrutura.
Cinco décadas depois da sua inauguração, o Estádio de São Miguel mantém-se firme como casa de emoções, histórias e identidade, pronto para acolher novos capítulos no desporto açoriano.



