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São bem conhecidos os problemas do abandono escolar, dos jovens que não trabalham, nem estudam, e das baixas qualificações profissionais. Estes são défices estruturais da Região, que a Comissão de Educação e Formação do CESA abordou no seminário Qualificações 2036. Uma iniciativa muito pertinente, pela urgência em resolver o problema e pela visão humanista. Evitar um tom paternalista é essencial.

Os discursos de ódio e de divisão social são uma boa forma para, daqui a poucos anos, lamentarmos a subida dos números. É necessária uma abordagem integrada, assente na compreensão e não em juízos pré-concebidos. A grande dificuldade do poder político regional é estar disponível para as alterações estruturais ao modelo económico que se exigem.

Sabe-se que a origem do problema é, sobretudo, de raiz económica. Sabe-se que está associado à pobreza estrutural que se vive nos Açores. Sabe-se, também, que a interrupção dos ciclos de pobreza exige romper com o modelo económico e social que os origina. A conclusão é evidente: integrar estes jovens e ultrapassar o desajuste das qualificações profissionais exige um outro modelo económico.

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Nada disto é recente – é uma realidade com décadas. Até agora, nenhum governo regional enfrentou este desafio. O resultado está à vista: uma economia assente na desigualdade crescente da distribuição da riqueza, nos baixos salários e na desvalorização das competências e das qualificações. Falta uma economia dos Açores para o século XXI!

Quem inicia uma profissão, sabe que receberá, toda a vida, o salário mínimo ou pouco mais. Quem tem 20 anos de dedicação, recebe o mesmo que quem acabou de entrar. Perante esta situação, que motivação há para aumentar as qualificações? Ou para que os mais qualificados não emigrem?

Enquanto o poder político se focar no indivíduo, e não no modelo económico e social em que este se insere, este e outros problemas apenas se arrastarão no tempo. Melhores qualificações profissionais só serão atingidas com uma reforma estrutural da economia, e não o contrário. É este o grande desafio que se coloca! E é este o dilema que o governo regional não quer enfrentar!

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