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A IRIS – Associação Nacional de Ambiente apelou a uma intervenção eficaz que permita reabrir a Mata do Dr. Fraga, no concelho da Ribeira Grande, nos Açores, denunciando que o espaço verde, onde existe uma coleção botânica, “continua inexplicavelmente encerrado”.

A Mata do Dr. Fraga é um espaço verde localizado no lugar do Outeiro Redondo, na freguesia da Maia, na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.

Foi criada no início do século XX pelo médico madeirense João Guilherme de Fraga Gomes, que reuniu no local uma grande diversidade de espécies, incluindo ornamentais.

O espaço é conhecido pela sua diversidade botânica, oferecendo também equipamentos de lazer.

Em 2022, foi lançado o livro “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”, da autoria do madeirense Raimundo Quintal e do açoriano Teófilo Braga.

O livro faz parte do Plano Regional de Leitura dos Açores para o biénio 2025-2026.

Numa nota, Teófilo Braga, coordenador do núcleo regional dos Açores da IRIS, denunciou que a Mata “continua inexplicavelmente encerrada ao público”.

“Seis meses após uma primeira tentativa frustrada de visita, voltei, a 27 de março, a deparar-me com o portão fechado e com o mesmo aviso: “Caros cidadãos, a Mata do Dr. Fraga encontra-se encerrada devido a manutenções. Pedimos desculpa pelo incómodo. Abriremos brevemente…”, relata na nota enviada à agência Lusa.

Frequentador assíduo do espaço ajardinado ao longo dos anos, incluindo em visitas pedagógicas com alunos da Escola Básica Integrada da Maia, Teófilo Braga reconheceu a necessidade de algumas intervenções, como “a substituição das madeiras das escadas”.

Ainda assim, considerou que tais trabalhos não justificam “um encerramento tão prolongado que começa a assemelhar-se mais a abandono do que a manutenção” do espaço com valor histórico, ambiental e educativo.

“A ausência de uma intervenção célere por parte da Junta de Freguesia não só contribui para a progressiva degradação deste património, como também revela uma preocupante falta de respeito pela memória do seu criador”, e de “todos os que contribuíram para a sua requalificação e reabertura em 2008”.

Teófilo Braga recordou que o “esforço de valorização” do espaço culminou, em 2022, com a publicação da obra sobre a Mata, recentemente integrada no Plano Regional de Leitura dos Açores 2025-2026, na categoria de Outros Públicos, salientando ser “um reconhecimento que reforça a importância cultural e educativa” do local.

Perante o cenário, a associação considerou “urgente que a Junta de Freguesia da Maia assuma a responsabilidade que lhe compete e promova, com a maior brevidade possível, uma intervenção eficaz que permita a reabertura” da Mata e para “devolver este espaço à população, que dele tem sido privada, sem prazos nem esclarecimentos claros”.

Está também em curso uma petição pública, intitulada “Não deixem morrer a Mata do Dr. Fraga — reabertura urgente”, para garantir a preservação e reabertura do espaço verde.

Dirigida à Junta de Freguesia da Maia, Câmara Municipal da Ribeira Grande e Governo Regional dos Açores, a petição defende a conclusão urgente das obras de manutenção necessárias, a divulgação pública de um prazo concreto para a reabertura da Mata e a implementação de um plano de manutenção regular que garanta a sua preservação e acessibilidade futura.

“A população da Maia e todos os que valorizam este espaço merecem voltar a usufruir deste património único”, é referido na petição.

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