O presidente do PS, Carlos César, considerou hoje “um disparate” ver uma colagem dos socialistas ao Governo e considerou que o antigo primeiro-ministro Cavaco Silva demonstrou estar “frontalmente contra a política de alianças” do executivo.
Em declarações aos jornalistas à entrada para o 25.º Congresso do PS, em Viseu, Carlos César foi questionado as críticas de alguns militantes socialistas sobre uma colagem do partido ao Governo e respondeu que “isso é um disparate”.
“Como é que nós havíamos de nos colar à governação? Nós o que precisamos, e amanhã di-lo-ei, é de trabalhar pelo bom governo de Portugal, e isso nós devemos, de modo sistemático e de modo constante, manter como a nossa aposta e propósito. Nós não nos devemos envergonhar de propor coisas boas para o país lá por o Governo de ser do PSD ou de outro partido qualquer”, acrescentou.
O antigo chefe do Governo Regional dos Açores argumentou que quem “tem vergonha com isso, envergonha-se também dos benefícios que o Partido Socialista passa a propor”, considerou que o PS “tem de ser parceiro dos portugueses” e que o futuro deve passar por um papel de “oposição construtiva”.
Questionado sobre o texto publicado no semanário Expresso pelo ex-Presidente da República e antigo primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva, o socialista disse que o que mais reteve “foi a orientação desse artigo frontalmente contra a política de alianças do atual Governo”.
“É um artigo que marca a divergência do professor Cavaco Silva com o doutor Luís Montenegro. Quanto a conselhos ao Partido Socialista, eu estava mesmo ansioso que o professor Cavaco Silva nos indicasse o caminho da vitória”, ironizou.
Em causa está um artigo de Aníbal Cavaco Silva, intitulado “O dinheiro não cai do céu, no qual o antigo chefe de Estado pede a Luís Montenegro “forte determinação e coragem política” para fazer reformas de forma a permitir o crescimento da economia e alerta que o Chega não é um partido confiável.
O 25.º Congresso Nacional arranca hoje em Viseu com o discurso do secretário-geral reeleito, José Luís Carneiro, a marcar o início dos trabalhos.
Até domingo, Viseu recebe o congresso de consagração de José Luís Carneiro como líder do PS, depois da sua reeleição nas diretas, de novo em lista única, como secretário-geral do partido, com 97,1% dos votos.




