O coordenador regional da Iniciativa Liberal (IL) nos Açores, Hugo Almeida, exigiu hoje esclarecimentos públicos à secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, sobre dossiês sob a sua tutela, criticando a gestão do Governo.
Em causa estão dossiês como o transporte público coletivo de passageiros na ilha de São Miguel, a saída da companhia aérea de baixo custo Ryanair da região, neste fim de semana, ou “o fracasso” do novo modelo de transporte marítimo de mercadorias e na preparação das épocas turísticas nos Açores.
“A Iniciativa Liberal Açores exige explicações públicas, concretas e tempestivas sobre cada um destes dossiês. Se a senhora secretária Berta Cabral não as quiser dar, que dê lugar a quem o queira fazer; se não consegue resolver, que dê lugar a quem consiga; se não tem condições para gerir esta pasta, que dê lugar a quem as tenha”, lê-se num texto assinado pelo coordenador regional da IL.
Segundo um comunicado de imprensa, Hugo Almeida alertou que, caso não haja respostas, a governante deve “dar lugar a quem o faça”, lançando também um apelo ao Chega, que diz ser “corresponsável” por “continuar a viabilizar” a atual gestão do Governo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM).
Em comunicado, Hugo Almeida sublinha que a posição do partido “nada tem que ver com quaisquer investigações em curso no departamento desta secretária”, mas sim “por ações que denotam incapacidade governativa e com impactos reais na vida dos açorianos”.
Para o coordenador da IL/Açores, “a liberdade dos açorianos não pode ficar refém da inércia de quem governa”.
No transporte público terrestre em São Miguel, a IL denuncia a suspensão da venda de passes para abril pelas empresas concessionárias, alegando que deixa utentes sem garantias de mobilidade, uma situação que resulta de “incerteza contratual gerada pelo Governo” e evidencia “um problema de gestão, não de circunstância”.
Já no setor aéreo, os liberais apontam que há “uma crise atrás da outra” e “sempre a mesma tutela”, criticando a saída da Ryanair dos Açores, “essencial para a acessibilidade dos açorianos”, que “partiu sem negociação séria” e questionam ainda a ausência de soluções concretas apresentadas pela tutela.
Já no que se refere ao transporte marítimo de mercadorias, Hugo Almeida aponta falhas no novo modelo implementado, alegando disrupções “repetidas” no abastecimento das ilhas e impactos nas famílias e empresas, “num arquipélago onde o abastecimento regular não é um luxo, é uma necessidade de soberania territorial”.
A IL refere ainda “inação e “falta de visão” na estratégia de promoção turística, afirmando que “os Açores ficam para trás, enquanto outros avançam”.
“Cada reserva que não se faz nos Açores faz-se noutro destino. E esse custo não aparece em nenhum comunicado do Governo Regional”, critica a IL/Açores.
A Ryanair anunciou no fim de 2025 o fim da operação para os Açores a partir de 29 de março (domingo), devido às taxas aeroportuárias e à tributação ambiental europeia. Segundo o ‘site’ da companhia, os últimos voos de e para o arquipélago são feitos no sábado (Lisboa-Terceira-Lisboa e Porto-Ponta Delgada -Porto).
O Governo Regional ainda tentou, sem sucesso, que a companhia mantivesse a operação na região, iniciada em 2015.
A saída da transportadora irlandesa acontece dias depois da operação “Last Call”, que incluiu a realização de buscas pela Polícia Judiciária (PJ) em “vários locais da administração regional”.
Através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, a PJ realizou a operação nos Açores (São Miguel, Terceira e Faial) e em Lisboa, no âmbito de um inquérito por “suspeitas do favorecimento de uma companhia aérea por parte de uma entidade pública” e constituiu cinco arguidos.
O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, esclareceu que as buscas realizadas pela PJ ocorreram em “vários locais da administração regional”, assegurando que há “total colaboração com as autoridades” por parte do executivo.













